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Correio Braziliense

Servidores da Novacap decidem manter paralisação, que já dura 12 dias

A categoria reivindica 17,5% de reajuste salarial. Para o Governo do DF, não é possível conceder mais do que 10%, antecipando a implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários


postado em 03/12/2010 08:00

Os funcionários da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) decidiram ontem continuar em greve. O grupo quer a implantação imediata do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), equivalente a um aumento de 17,5% na folha de pagamento. O Governo do Distrito Federal alega que negociou a concessão de cerca de 10% de reajuste. A categoria, no entanto, recusou a proposta. Com mais de 900 servidores de braços cruzados, as áreas verdes de Brasília ficam sem manutenção e aumenta o número de buracos nas pistas da cidade.

Uma assembleia marcada para a próxima semana deve definir os rumos da paralisação que entra hoje no 12º dia. O secretário-geral do Sindicato dos Servidores e Empregados de Administração Funcional, das Autarquias, Empresas Públicas e Sociedade de Economia (Sindser-DF), Cícero Rola, estima que o percentual oferecido pelo GDF represente R$ 1,3 milhão a mais com os gastos salariais. Segundo ele, porém, a reivindicação da categoria significa uma despesa mensal de
R$ 1,7 milhão com pessoal “A briga é uma diferença na aplicação dos recursos”, afirma.

O governo não aprova os cálculos do Sindser. O coordenador de Assuntos Sindicais do GDF, Ilair Antônio Tumelero, explica que o Executivo não tem condições de desembolsar o adicional de R$ 878 mil a cada mês. “As propostas do sindicato superam a nossa capacidade. Eles inflaram os valores, contabilizando encargos fiscais e outros índices”, diz. A solução do governo é antecipar 10% dos efeitos financeiros que a implantação do PCCS da categoria acarretará. “Não dá tempo de analisar tecnicamente o plano de carreiras. Isso precisará ser feito no ano que vem, na próxima gestão”, acrescenta Tumelero.

A folha de pagamento de todos os 1,1 mil funcionários da Novacap representou cerca de R$ 8 milhões em outubro. De acordo com Tumelero, da forma como está, o plano de cargos representa um aumento de 70% nos gastos com a remuneração dos servidores do órgão. Por considerar inviável a concessão, o governo decidiu aplicar apenas 10% do que a categoria reivindica e deixar o restante para os próximos gestores decidirem. O Sindser, porém, recusa a proposta. “As negociações não têm tido avanços significativos”, rebate Cícero Rola.

Conciliação
A briga entre governo e sindicalistas foi parar em uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), realizada na última quarta-feira. Mas não houve entendimento. Tumelero acredita que a questão pode chegar à Turma de Dissídios Coletivos. “O governo reconhece a importância da Novacap para a sociedade de Brasília. Mas a coisa caminha para uma decisão do Judiciário.”

Enquanto não há acordo, quem paga é a população. A falta de manutenção das áreas verdes é visível em pontos como o Eixo Monumental e o Sudoeste. No restante do DF, o problema se agrava com os buracos nas ruas, que se alargam a cada temporal. O militar Francisco Teodoro Rodrigues, 45 anos, conta que a via de ligação da Feira do Produtor de Ceilândia com o Condomínio Sol Nascente está quase intransitável. “As crateras aumentaram tanto que o asfalto está acabando”, descreve o morador.

Fora do Plano Piloto, as administrações regionais são responsáveis pela operação tapa-buracos, mas também é possível solicitar à Novacap. “Liguei várias vezes para a ouvidoria do GDF. Mas o problema é sempre jogado de um órgão para o outro”, reclama Francisco. Quem passa pela mesma situação terá de esperar pelo fim da greve. O secretário-geral do Sindser afirma que, por enquanto, a categoria não deve ceder, apesar de reconhecer que “a paralisação desses serviços começam a trazer prejuízos para a população”.

Memória
Homenagem ao jardineiro

Durante a assembleia de ontem, em frente à Novacap, os representantes do Sindser fizeram uma homenagem ao jardineiro José Ferreira da Silva, morto em 2 de dezembro de 1999, durante uma manifestação em frente à sede do órgão. Os sindicalistas colocaram coroas de flores no monumento que representa a memória do trabalhador. Ele estava com um grupo de 400 servidores que impedia a entrada dos demais servidores no edifício até que obtivessem respostas sobre as reivindicações salariais.

Por volta das 12h40, os manifestantes saíram correndo em meio a uma nuvem de gás lacrimogêneo e tiros de balas de borracha e outras de efeito letal. A briga aumentou e um disparo acertou José Ferreira. Investigações posteriores apontaram um tenente da Polícia Militar como o responsável. Ele negou o crime à Justiça. Além da morte de José Ferreira, a briga entre sindicalistas e autoridades deixou dois servidores da Novacap cegos de um olho.

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