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Estado de Minas

Autossuficiente, Taguatinga é considerada a capital econômica do DF


postado em 06/02/2011 08:26

Madura e independente, Taguatinga agarrou-se ao título de capital econômica do Distrito Federal. A cidade, criada antes mesmo de Brasília, é a mais rica do quadrilátero candango e acumula o maior número de empresas: 12 mil. O forte comércio de rua, referência para toda a região, teve de aceitar a concorrência dos shoppings, mas não perdeu a majestade. Feiras e avenidas continuam a atrair multidões em busca de variedade de produtos e preços baixos.


Com cerca de 350 mil habitantes, Taguatinga costuma ser a menina dos olhos dos governantes. Na gestão passada, chegou a abrigar o centro administrativo do Executivo local, o já desativado Buritinga. Apesar de a arrecadação com impostos não ser separada oficialmente por região administrativa, estima-se que, fora do Plano Piloto, circula ali a maior riqueza do DF. A economia de Taguatinga é determinante para o desenvolvimento da capital.

A cidade cresceu assustadoramente em função do comércio e da criação de empregos. Pelo menos 100 mil pessoas trabalham em Taguatinga, situada a 19km do centro de Brasília e dividida em quadras residenciais, comerciais e industriais. Na hora de procurar espaço no mercado de trabalho, a população de localidades como Ceilândia e Samambaia ainda recorre à vizinha considerada motor econômico do DF.

Taguatinga firmou sua autonomia na última década. Abastecida por lojas, atacados, fábricas, hotéis, faculdades, hipermercados e atendida pelos mais diversos serviços, se consolidou como principal polo de atração de investimentos em volta de Brasília. “Com um comércio ativo, ela está economicamente consolidada. Encontra-se um pouco de tudo na cidade”, diz o consultor de varejo e sócio da Neocom Informação Aplicada, Alexandre Ayres.

Avenida Comercial
Um dos principais centros de consumo do DF é a Avenida Comercial de Taguatinga. Do lado norte, onde se concentra o maior número de lojas, os segmentos de móveis, colchões, calçados e confecção se destacam. Atentos à grande movimentação de pessoas, de segunda a sábado, agências bancárias, clínicas médicas, bares e restaurantes se instalaram ao longo da avenida.

Filho de um dos pioneiros mais conhecidos de Taguatinga, Jamal Kamal, 34 anos, viu a Avenida Comercial nascer. Aos 10 anos, ele começou a trabalhar com o pai, o palestino Abdel Kamal, 75, que desembarcou no Planalto Central em 1955, fugindo da guerra no Oriente Médio. “Meu pai não sabia falar português direito. Mesmo assim, trabalhava como vendedor, batendo de porta em porta”, conta Jamal.

Há 15 anos, a família inaugurou a primeira loja de materiais esportivos da cidade. Hoje, são duas unidades na famosa avenida. “Esta região é o pulmão do DF, onde circula o dinheiro. Se a Comercial Norte quebrar, a economia local quebra”, diz o empresário, que passa a maior parte do dia nas lojas. “A diferença em Taguatinga é esta: você encontra o dono com facilidade e pode negociar diretamente com ele”, afirma.

Encontrar imóvel ocioso na Avenida Comercial não é fácil. Muita procura e pouca oferta elevam os preços de aluguel. Um espaço de 250m2 que há cinco anos valia R$ 6 mil por mês hoje chega a R$ 10 mil — valorização média de 13% ao ano. E, ao passar o ponto, agora cobra-se a chamada luva, valor adiantado pago para assinatura de contrato em áreas muito valorizadas, como o Plano Piloto. O mesmo já ocorre em alguns pontos da Avenida Central.

O edifício Taguacenter, na Avenida Hélio Prates, é outro centro comercial pujante. Os armarinhos atraem a clientela. “Gente não falta aqui. E as pessoas estão comprando cada vez mais”, percebe Francisco Leite, 63 anos, dono do Armarinho Novidades, que abriu as portas há 28 anos. Hoje, emprega 45 pessoas e ocupa uma área de 3 mil metros quadrados. “Quem quiser variedade e preço bom tem que vir a Taguatinga”, diz a mulher dele, Zélia Leite, 60.

Há 17 anos morando em Taguatinga, a assistente social Maria das Graças Saraiva, 50, passa semanas sem ir ao Plano Piloto. “Não preciso mais ir ao Plano. Tenho tudo o que preciso perto de casa e posso fazer minhas compras a pé”, justifica ela, em frente ao Alameda Shopping, o mais tradicional da cidade. Em média, 30 mil pessoas circulam diariamente pelo centro comercial inaugurado em 1990 e formado por 120 lojas.

A abertura do Taguatinga
Shopping, em novembro de 2000, foi um marco na economia local. Às margens do Pistão Sul, ao lado do hipermercado Extra, o estabelecimento recebe cerca de1,3 milhão de visitantes por mês. Ao longo da década, passou por ampliações para atender à demanda crescente. Nove salas de cinema, 240 lojas e 24 lanchonetes e restaurantes funcionam em um espaço de 126,5 mil m2.

Não há mais para onde crescer
O comércio varejista a todo vapor impulsionou o atacado em Taguatinga. Os maiores do setor — dos ramos de calçados, roupas, alimentos e brinquedos — estão presentes na cidade. “A economia local precisou se adequar à realidade. Com um varejo muito forte, o crescimento do atacado se tornou inevitável”, analisa o presidente da Associação Comercial e Industrial de Taguatinga, José Sobrinho Barros, que neste mês assumiu o conselho deliberativo Sebrae-DF.

As indústrias também encontram espaço na mais próspera das regiões administrativas. Há centros industriais entre as avenidas Sandu Norte e Hélio Prates; nas proximidades da BR-060 (que liga Brasília a Goiânia); no setor conhecido como H Norte; perto da BR-070 (saída para Águas Lindas) e próximo à Avenida Elmo Serejo. “Não temos mais para onde crescer. É necessário qualificar o que temos”, defende Barros, ao reclamar da falta de opções de lazer e de um centro de convenções.

O consultor de varejo Alexandre Ayres sustenta que a expansão física de Taguatinga chegou ao limite, o que força um desenvolvimento do que já existe. “A cidade se esgotou. Há pouquíssimas opções de terrenos. Chegou a hora do enriquecimento”, diz ele, ao indicar que existe uma tendência de a renda per capita do centro urbano crescer nos próximos anos. Os dados oficiais mais recentes, de 2004, apontam uma renda média de R$ 661 por pessoa em Taguatinga. Se aplicado o mesmo reajuste concedido ao salário mínimo desde 2004, quando o piso valia R$ 260 — hoje está em R$ 540, uma valorização de 107,7% no período —, a renda média dos taguatinguenses valeria hoje em torno de R$ 1.370. (DA)

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