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Estado de Minas

Governo tenta segurar, mas preço da gasolina dispara e chega a R$ 2,94


postado em 14/04/2011 07:47

O indigesto preço de R$ 2,94 para o litro de gasolina, que começou a ser aplicado nas bombas dos postos de combustível na manhã de terça-feira, espalhou-se de forma generalizada pelo Distrito Federal. O motivo alegado pelos donos de postos para o reajuste de R$ 0,07 — o terceiro aumento desde o início do ano — é o preço de custo cobrado pelas distribuidoras. Para compensar a pesada alta do derivado do petróleo, o etanol sofrerá novo recuo, de R$ 0,20, a partir de hoje. Apesar disso, continuará não valendo a pena substituir um combustível pelo outro — para que o álcool seja vantajoso, é preciso que ele custe menos de 70% do valor da gasolina. No patamar atual, deveria custar abaixo de R$ 2,05.

A escalada de preços que preocupa os consumidores tem incomodado também o governo federal. Diante do cenário de tensão no Oriente Médio, a Petrobras tem sinalizado que, caso o barril de petróleo continue subindo no mercado internacional, deve haver aumento do preço do combustível vendido nas refinarias, o que não ocorre há três anos. Com isso, o valor no mercado interno ficaria ainda mais pressionado. A presidenta Dilma Rousseff é contrária ao reajuste. Na última semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou que o reajuste vá ocorrer, e o titular da pasta de Minas e Energia, Edison Lobão, declarou que o governo resistirá “enquanto for possível”. Mesmo assim, anteontem, o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, insistiu que a alta pode acontecer

A última alteração feita pela Petrobras no preço da gasolina tipo A, vendida às distribuidoras sem a mistura de 25% de álcool anidro, foi para baixo. Em junho de 2009, a estatal reduziu em 4,5% o valor do produto. O último aumento sobre o combustível foi efetuado em 30 de abril de 2008, quando uma alta de 10% sobre a gasolina e de 15% sobre o diesel foi autorizada.

Com base na tabela de preços da empresa até o momento, não haveria motivo para a recente alta da gasolina, registrada no DF e em outras unidades da Federação. Além disso, outro fator que influencia o preço do derivado do petróleo, o percentual de 25% de álcool anidro em sua composição, já estaria neutralizado, uma vez que, nesta semana, o etanol começou a recuar nas bombas graças ao fim do período de entressafra da cana-de-açúcar.

Alísio Vaz, vice-presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), afirma que, mesmo com o início do período de safra e consequente queda do preço do álcool, o biocombustível continuaria influenciando o valor do derivado do petróleo. Ele alega que a colheita de cana-de-açúcar ainda não foi volumosa o suficiente para fazer baixar o valor da gasolina, a exemplo do que aconteceu com o etanol nas bombas. Vaz acredita que a situação vai se reverter no início de maio. Diz, ainda, que problemas de baixa produtividade frente a uma demanda elevada provocam a insegurança e as oscilações constantes nos preços dos dois combustíveis (leia mais no Três perguntas para).

Os proprietários de postos de combustíveis no Distrito Federal demonstram preocupação com o valor da gasolina. No início da noite de ontem, o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis Automotivos e de Lubrificantes do Distrito Federal (Sindicombustíveis) divulgou nota em que festejava o decréscimo no preço do álcool anunciado pela BR Distribuidora, braço comercial da Petrobras. Para a entidade,a medida foi positiva e pode ser entendida como uma tentativa de segurar os preços da gasolina. Ainda assim, expressou repúdio quanto às altas aplicadas pelas distribuidoras.

De acordo com o Antônio Matias, proprietário da Rede Gasol — a maior do Distrito Federal, que detém o controle sobre 91 dos 320 postos de gasolina existentes —, o forte crescimento da demanda por combustíveis tem levado ao aumento desenfreado dos preços. “Eu estou preocupado, porque não tem freio. Uma hora são as usinas e refinarias, na outra é a conjuntura internacional. Eu acredito que o governo tem que tomar medidas. Os mercados interno e externo têm crescido muito, e a produção de gasolina e álcool não está acompanhando”, afirmou.

Valor uniforme
Nas ruas do DF, preço de R$ 2,94 para o litro da gasolina é cobrado quase que uniformemente nas bombas. A variação ficava por conta de poucos postos que ainda não haviam realizado a alteração, em virtude de ainda possuir estoques antigos. A maioria dos estabelecimentos vende a gasolina aditivada ao mesmo valor da comum. Entretanto, em um posto do Pistão Sul, o litro do combustível com aditivos está sendo comercializado a R$ 2,98.

A dentista Paula Porto, 40 anos, queixou-se do preço salgado da gasolina enquanto abastecia o carro ao lado da filha Júlia, em um posto no Lago Sul. “O problema é que o álcool acaba mais rápido. Então só compensa se estiver muito barato mesmo. A gente já está pagando muito caro por combustível, e ainda aumenta. Não tem para onde fugir”, comentou.

Disparada
Confira a evolução dos preços desde abril de 2008, quando a Petrobras fez a última elevação, de 10%, sobre o preço da gasolina vendida em suas refinarias (antes da adição de álcool). Em junho do ano passado, a estatal reduziu em 4,5% o valor do derivado do petróleo

Abril de 2008 R$ 2,57

Dezembro de 2008 R$ 2,65

Maio de 2009 R$ 2,67

Novembro de 2009 R$ 2,73

Fevereiro de 2009 R$ 2,75

Agosto de 2010 R$ 2,66

Novembro de 2010 R$ 2,77

Fevereiro de 2011 R$ 2,77

Março de 2011 R$ 2,89

1ª semana de

abril de 2011 R$ 2,87

Preço atual R$ 2,94

Variação 14,4%

Obs.: a última elevação da gasolina ainda não entrou na tabela da ANP

Fonte: ANP

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