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Estado de Minas

Borra de café e alevinos de lambari no combate à dengue no Lago Norte


postado em 16/04/2011 14:21 / atualizado em 16/04/2011 17:23

Moradores colacam peixes em lagoa para ajuda no combate à dengue, no Lago Norte(foto: Ed Alves/Esp.CB/D.A Press )
Moradores colacam peixes em lagoa para ajuda no combate à dengue, no Lago Norte (foto: Ed Alves/Esp.CB/D.A Press )
Moradores, comerciantes e a Administração Regional estão engajados na luta para combater a dengue no Lago Norte. Na manhã de ontem, cerca de 30 pessoas percorreram alguns pontos do bairro para acabar com possíveis focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. Um canteiro de obras aberto há mais de oito anos, em frente à Quadra 9, foi o primeiro contemplado com a iniciativa da comunidade. Depois foi a vez das áreas próximas à estação da Caesb e na QL 3 e na ML 3. As lagoas artificais identificadas pela administração receberam alevinos de lambaris, predadores naturais do mosquito.

Para tentar impedir a proliferação do mosquito, o grupo usou um remédio natural nas poças que se formam durante o período chuvoso em um buraco aberto há mais de oito anos ao lado da Quituart. Eles misturaram borra de café (1) à água em vez de usar produtos mais fortes que podem contaminar o solo. Um estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) confirmou a eficácia do produto, que não deixa a larva do mosquito se desenvolver. Mas para impedir a proliferação do mosquito da dengue, a borra de café deve ser reaplicada a cada sete dias. "Detectamos um foco do mosquito aqui e a Vigilância Ambiental de Saúde nos deu a ideia de fazer um local de experimentação", explicou o administrador do Lago Norte, Marcos Woortmann.

A moradora do Lago Norte e empresária Weymer Quintas, 56 anos, levou seis quilos de café que conseguiu em um shopping para despejar na água empoçada. "Achei essa iniciativa muito boa porque esse buraco sempre nos preocupou. Minha intenção é vir aqui todos os sábados", disse a dona de um restaurante na Quituart. O diretor-presidente da Quituart, Bruno Bernardes, explicou que a administração da feira já se organizava para combater a doença. "Queríamos chamar a zoonose para nos orientar, mas a administração nos procurou e agora fazemos esse trabalho em conjunto", lembrou.

Depois de misturar a borra de café à água empoçada, o grupo seguiu para uma lago artifical ao lado da Estação da Caesb, no início do Lago Norte. Lá foram jogados cerca de 500 alevinos de lambari, que se alimentam do mosquito. Outros 1,5 mil seriam usados em outras lagoas na QL 3 e na ML 3. A ideia é revitalizar o parque na área ao lado da Caesb, que já existe por meio de decreto. "Nosso objetivo é fazer um projeto sustentável do nosso bairro", disse o administrador.

Obra parada

Bernardes explicou que o buraco aberto em frente à Quituart seria para a construção da sede da feira. "Essa área foi desafetada pela Câmara Legislativa e nós compramos. Fizemos projetos arquitetônicos aprovados pela administração regional, mas um grupo de moradores conseguiu a paralisação da obra por meio de um ação civil pública", lamentou. Ele espera que até esse ano a questão se resolva na justiça. Atualmente, a Quituart funciona de forma improvisada. "Nossa ideia é fazer uma sede de alvenaria, mais segura para quem trabalha e quem frequenta o local", disse.

Remédio natural

A bióloga Alessandra Laranja e a professora Hermione Bicudo, ambas do Instituto de Biociências da Unesp realizaram um estudo e descobriram que a borra de café pode matar o Aedes aegypti. Por meio de experiências, elas comprovaram que a cafeína não deixa a larva do mosquito se desenvolver. Mas para que o método funcione é preciso haver concentração de 100mg de cafeína por litro de água. Inicialmente, a bióloga e a professora fizeram os testes com a mosca drosófila, conhecida como mosca da fruta, e o resultado foi positivo.

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