Cidades

Peritos da PC descobrem falhas em oito tubulões do Imagination

postado em 31/05/2011 07:30
Buracos e avarias. O estado de conservação dos oito tubulões do Imagination, uma das possíveis causas da maior tragédia do Lago Paranoá, começou a ser avaliado pela Polícia Civil. Apesar de não fazer parte dos planos dos bombeiros, a embarcação naufragada no último dia 22 (leia Memória) virou ontem de cabeça para baixo enquanto os militares tentavam rebocá-la para a orla, na altura do Setor de Clubes Sul. O imprevisto facilitou o trabalho dos peritos. No entanto, garantiu mais trabalho à corporação, que tentará hoje colocá-lo mais uma vez em posição de navegação.

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As respostas para a tragédia que deixou nove pessoas mortas, entre elas um bebê de sete meses, terão duas análises diferentes. Além da Polícia Civil, que tem o prazo de dois meses para concluir o laudo, a Marinha investigará a situação do barco. Os dois engenheiros navais da força naval, vindos do Rio de Janeiro (RJ), começam hoje pela manhã a fotografar, medir e vistoriar a estrutura do Imagination. ;O que aconteceu não foi planejado, mas ajudou muito a perícia;, afirmou o delegado fluvial Rogério Leite. O resultado da análise da Marinha pode demorar até três meses.

De cabeça para baixo, o casco do Imagination, onde estão os tubulões, ficou na superfície da água, e o teto da estrutura quase tocou o fundo do lago. À mostra, os oito equipamentos que o mantinham flutuando antes do acidente apresentam sinais de desgaste, como pontos de perfuração e amassados. ;A perícia acha que o problema foi nos tubulões que sustentam o barco. Visualizamos alguns buracos, alguns vazamentos neles. Mas os peritos é que estão realmente atentos a isso;, ponderou o comandante operacional do Corpo de Bombeiros, coronel Luiz Brumm.

O Imagination se encontra a 150m da margem, em um ponto de 8m de profundidade. Mesmo sem acompanhar os trabalhos dos militares, segundo Brumm, o proprietário terá de arcar com a retirada da estrutura de dentro do lago. Com o fim da atuação dos peritos, prevista para hoje, os bombeiros tentarão desvirar a embarcação e guinchá-la até a orla. Da forma como está, ela traz risco para os frequentadores do Paranoá. Por isso, ainda será movida, mas continuará na água. ;A responsabilidade de tirá-la do lago é do dono;, explicou o comandante operacional.

Os mergulhadores posicionaram os globos de elevação de cargas subaquáticas no início da manhã. Quando foram inflados para ajudar na operação de reboque, um terço da embarcação estava para fora do lago. Era possível ver toda a proa. Um dos balões, no entanto, encheu com menos intensidade do que os demais e desequilibrou os restantes. Em poucos minutos, o Imagination tombou para o lado direito e quase sumiu na água. Os bombeiros tiveram de amarrar novamente as boias para virá-lo de cabeça para baixo. A estrutura permanece na posição horizontal, só que invertida, até o fim das perícias.

Investigação

Os investigadores da 10; Delegacia de Polícia, no Lago Sul, ouviram ontem mais depoimentos de sobreviventes do naufrágio ; mais de 70 foram prestados. Responsável pela apuração da maior tragédia do Lago Paranoá, o delegado Adval Cardoso trabalha com a hipótese de indiciar por homicídio culposo (sem intenção de matar) o dono e o comandante da embarcação. No entendimento de Cardoso, ambos descumpriram as obrigações de evitar a superlotação do Imagination e de orientar os passageiros e os tripulantes sobre o uso adequado dos equipamentos de segurança em caso de acidente. O delegado também desconfia de falta de manutenção por causa das constantes falhas mecânicas e elétricas na embarcação.

Superlotação e imprudência

Uma confraternização entre amigos no barco Imagination acabou em tragédia no último dia 22, no Lago Paranoá. Uma hora e meia após iniciada a festa, a embarcação naufragou, jogando 110 pessoas nas águas frias e escuras. Dezenas de passageiros não sabiam nadar, mas acabaram salvos pelo piloto de uma lancha particular que estava próxima ao barco. Nove pessoas morreram, entre elas uma criança de 10 anos e um bebê de sete meses.

Após as buscas dos corpos, que encerrou-se na quarta-feira passada, equipes da Marinha iniciaram a retirada da embarcação da água. São mais de cinco dias de tentativas frustradas de içar o Imagination. Investigações policiais comprovaram que a embarcação estava superlotada. Havia pelo menos 20% a mais que a capacidade máxima, de 92 pessoas. Vídeo do barco feito pela perícia da Polícia Civil do DF apontou ainda que muitos coletes salva-vidas não estavam acessíveis a todos os passageiros ; ficaram amarrados em um compartimento.

Com isso, começam a surgir os culpados do acidente. Investigadores da 10; Delegacia de Polícia, no Lago Sul, responsáveis pela apuração, ouviram mais de 70 depoimentos para tentar entender as causas do naufrágio. Um dos esclarecimentos revelou possíveis avarias na embarcação antes do acidente. Uma mangueira da bomba d;água, por exemplo, teria sido remendada com massa epóxi. Os agentes pretendem indiciar o piloto e o dono da embarcação por homicídio culposo (sem intenção de matar). O inquérito deve ser concluído em 60 dias.

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