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Após visita à obra do HUB, fiscal alertou sobre risco de desabamento

Várias notificações sobre problemas na obra no Hospital Universitário de Brasíla (HUB) teriam sido enviadas para a empresa responsável, a Construtora Anhanguera, de Goiânia, segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria, da Construção Civil e do Mobiliário de Brasília e da assessoria de imprensa da Universidade de Brasília (UnB).

De acordo com o site da universidade, o fiscal Josaphat Alves Corrêa teria feito notificações sistemáticas para a construtora. A última ocorreu na manhã de desta quinta-feira, quando o fiscal visitou novamente a obra e advertiu que ela poderia sofrer um desbarrancamento. "A vala era muito grande, reta e sem escoramento", afirma Josaphat, que pediu para que os trabalhos fossem interrompidos imediatamente.

Ainda segundo o site, o operário Valdinei da Silva teria se recusado a descer na vala ontem, mas os funcionários contaram que o mestre de obras estava obrigando-os a trabalhar mesmo sem as medidas de segurança. O mestre, Raimundo, fugiu do local após o acidente.

O vice-presidente do sindicato dos Trabalhadores da Indústria, da Construção Civil e do Mobiliário, Raimundo Salvador da Costa Braz, informou que dois ofícios foram encaminhados à Superintendência Regional do Trabalho. Eles relatavam problemas relacionados a saúde, segurança, alojamentos e higiene. "Não tivemos contato da superintendência e creio que nenhuma atitude foi tomada desde quando a informamos, pois, afinal, houve o acidente", disse Costa Braz.

A esposa do dono da Anhanguera, Maria Luiza de Castro Diniz, negou qualquer problema prévio na construção. "Não foi um erro, foi uma fatalidade pois esta obra nunca teve nenhuma complicação", disse ela.

Segundo Maria Luiza a empresa prestará ajuda tanto no resgate como no amparo das famílias das vítimas. Melchiades Diniz, dono a empresa, deve se pronunciar assim que o resgate for encerrado.