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Estado de Minas

Faixa da EPNB e da BR-020 será usada só por coletivos em horários de pico


postado em 23/09/2011 07:03 / atualizado em 23/09/2011 07:11

Nos próximos 120 dias, cerca de 70 mil usuários do transporte público do Distrito Federal ficarão menos tempo dentro dos ônibus. A partir de novembro, uma das faixas de rolamento da Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB) será usada prioritariamente pelos coletivos em horários de pico. E, em janeiro do ano que vem, o mesmo ocorrerá na BR-020, no trecho entre Sobradinho e a Ponte do Bragueto, acesso ao Lago Norte. Com a medida, o governo espera tornar o transporte público mais atrativo em comparação com o carro. As intervenções serão mínimas, e os recursos estão garantidos. O serviço será executado pelos servidores do GDF, o que dispensa a necessidade de licitação.

Nos dois trechos, o governo vai colocar tachas no asfalto para isolar a pista. A sinalização horizontal e vertical vai alertar os demais condutores que a prioridade de tráfego naquela faixa de rolamento é dos ônibus. As baias serão ampliadas, e os estudos, em fase de conclusão, vão definir em quais momentos haverá restrição para os demais carros. A princípio, ela ocorrerá sempre nos horários de maior fluxo. “A intenção é garantir uma via livre para os coletivos nos períodos de maior demanda. Vamos investir em campanhas educativas e na orientação dos motoristas. Mas também vamos fazer a fiscalização ostensiva e, posteriormente, instalaremos radares para multar quem desobedecer a restrição”, adianta o secretário de Transportes, José Walter Vazquez Filho.

O corredor prioritário da EPNB terá início embaixo do viaduto do Pistão Sul de Taguatinga. Abrangirá ainda um trecho da Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia) — na altura do Setor de Postos e Motéis —, seguirá pela Estrada Parque Guará (EPGU) e terminará um pouco depois do Zoológico de Brasília. A partir de lá, os ônibus avançarão pela W3 Sul, L2 Sul, Eixo Rodoviário Sul e Avenida das Nações. Ao todo, o percurso terá 12km. A expectativa é de que o tempo de viagem seja reduzido em 20 minutos por dia — 10 minutos na ida e 10 minutos na volta.

A mudança deverá beneficiar cerca de 40 mil usuários. Inclui moradores de Taguatinga, de Samambaia, do Riacho Fundo 1 e 2, do Núcleo Bandeirante, de Arniqueiras, Águas Claras, Santa Maria, do Gama e de parte do Entorno. Moradora do Riacho Fundo 2, a esteticista Alzira Ferreira de Matos, 30 anos, se animou com a possibilidade de gastar menos tempo dentro do ônibus. “Se isso não ficar só na promessa, pode ser muito bom. Mas sabe o que realmente mudaria a vida da gente? Ônibus novos, limpos e pontuais. Isso, sim, é um sonho”, pontua.

 

Mudanças a partir do Viaduto da EPNB: a previsão é de que o governo instale no local tachas no asfalto para isolar a pista aos ônibus(foto: Edilson Rodrigues/CB/D.A Press )
Mudanças a partir do Viaduto da EPNB: a previsão é de que o governo instale no local tachas no asfalto para isolar a pista aos ônibus (foto: Edilson Rodrigues/CB/D.A Press )
 

Gargalo
As mesmas intervenções serão executadas na BR-020, entre Sobradinho e a Ponte do Bragueto, num total de cerca de 13km. A expectativa é que 30 mil usuários sejam beneficiados pela mudança. Além dos moradores de Sobradinho 2, dos condomínios, do Lago Oeste e da Fercal, quem vive na região de Planaltina sentirá a diferença. O tempo de redução da viagem ainda não foi calculado. A segunda etapa do projeto será na BR-020 e vai começar em 60 dias, logo após o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) concluir a obra de recapeamento.

Segundo Vazquez, esses dois locais foram escolhidos por serem considerados críticos. “A prioridade para os ônibus vai aliviar um pouco o gargalo de hoje até que o Veículo Leve sobre Pneus seja concluído. Para a Saída Sul e a continuação da EPTG, teremos recursos do PAC da Mobilidade. As obras da Saída Norte serão iniciadas apenas em 2015. Por isso, escolhemos esses dois locais para atender a uma demanda imediata até que os grandes projetos fiquem prontos”, destaca Vazquez. O projeto é elaborado pela Secretaria de Transportes, em parceria com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), o Departamento de Trânsito (Detran) e o Transporte Urbano do DF (DFTrans).

Ao saber dos planos do governo, a auxiliar de escritório Lúcia Maria Montes, 45 anos, mostrou-se descrente. “Não acredito que isso vai mudar muita coisa. O que precisamos é de mais ônibus. Vamos esperar para ver como isso vai funcionar na prática. Quero me surpreender”, conta.

Na opinião de José Leles de Souza, presidente do Instituto de Certificação e Estudos de Trânsito e doutor em engenharia de transportes, qualquer medida que dê prioridade ao transporte de massa ajuda a melhorar o serviço. No caso específico do DF, ele avalia que os corredores prioritários anunciados pela Secretaria de Transportes são medidas paliativas e não resolverão os inúmeros problemas do sistema. “Esse pode ser o início de uma política de prioridade do transporte coletivo de passageiros. Mas resultados efetivos só vão aparecer se eles forem expandidos para toda a cidade”, adverte.

Alternativa
Em 26 de agosto do ano passado, o governador Agnelo Queiroz lançou o projeto do VLP. Ele prevê a construção de corredores exclusivos para ônibus em 42km de extensão no Eixo Sul de Brasília, ligando Santa Maria, Gama, ParkWay e Entorno Sul ao Plano Piloto por uma via específica para coletivos. O sistema atenderá 600 mil passageiros diariamente e 20 mil por hora em horários de pico. Haverá integração com o metrô.

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