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Estado de Minas

Igreja reabre as portas com arte feita com pastilhas de pedras preciosas


postado em 29/09/2011 09:14

O altar do templo na Asa Norte, depois das mudanças: quase 74 mil peças compõem os mosaicos do premiado artista Sidney Matias(foto: Fotos: Daniel Ferreira/CB/D.A Press)
O altar do templo na Asa Norte, depois das mudanças: quase 74 mil peças compõem os mosaicos do premiado artista Sidney Matias (foto: Fotos: Daniel Ferreira/CB/D.A Press)

Hoje é Dia de São Miguel Arcanjo, o padroeiro das Forças Armadas. Para comemorar a data, a paróquia São Miguel Arcanjo e Santo Expedito, na 303 Norte, reabrirá as portas com novidades, depois de passar por reformas. Dois mosaicos feitos em pastilhas de ouro, madrepérola, prata e vidro embelezam o templo. Eles foram instalados há 10 dias. Agora, podem ser vistos pelo público. Quem assina as obras é o artista plástico Sidney Matias, 42 anos, de São Paulo.

Os painéis, com imagens dos santos que dão nome à igreja militar, medem aproximadamente de 3,80m de altura por 2,80m de largura. Levam quase 74 mil pedaços na sua composição. Cada pastilha tem 2cm. Elas são divididas em até oito partes para formar o desenho. As duas peças levaram quatro meses e meio para ficar prontas.

A encomenda chegou a Brasília em um avião da Aeronáutica. Sidney Matias é conhecido no Brasil e no exterior por suas telas, painéis em pastilhas e esculturas. “Esse trabalho que está em Brasília é o mais surpreendente. Fiz com muito empenho e responsabilidade, levando em conta a fé das pessoas que estarão diante das imagens”, disse o artista.

No início do ano, Sidney presenteou a presidente da República, Dilma Rousseff, com um retrato dela feito por ele. A tela foi assunto de jornais e revistas — inclusive fora do Brasil — nos dias seguintes à entrega. Itens feitos por Sidney espalharam-se pelo mundo. Os painéis da paróquia são os primeiros a ser expostos em Brasília. O convite para confeccioná-los surgiu pouco depois da visita de Sidney ao Palácio do Planalto, no início do ano.

O artista, que é católico, fez turismo em Brasília e conheceu templos, entre eles o militar. Na ocasião, recebeu a encomenda. “A igreja passou a ser um lugar onde as pessoas não vêm somente para louvar, mas também contemplar a beleza de Deus nas obras de arte feitas pelas suas criaturas”, afirmou o padre Júlio César Silva Mônaco, responsável pela paróquia.

Sidney gosta de ser chamado de operário da arte. Nunca estudou para se especializar. É autodidata. Herdou a paixão pela pintura da mãe, uma costureira nascida em Campinas (SP), que gostava de pintar quadros. Tem sangue italiano, graças ao avô materno. “Isso também ajuda a explicar o gosto pela arte, acredito.” Desde criança, ele pintava as paredes de casa, folhas soltas pelo chão e qualquer espaço em branco que visse pela frente. Na adolescência, matriculou-se na faculdade de fisioterapia, mas não terminou o curso. “Não teve jeito, a arte me escolheu.”

Internacional
Aos 16 anos, Sidney ganhou o primeiro prêmio com uma pintura. Aos 18, venceu um concurso do Museu de Arte de São Paulo (Masp) com o quadro intitulado Brasileiros por adoção. Nele, um senhor italiano comia pizza no bairro Bexiga, em São Paulo. A inspiração, mais uma vez, veio do avô.

Parte do acervo do artista está na Universidade de Bayton, nos Estados Unidos. Alguns itens podem ser vistos na Universidade de Saint Marys, no Texas, e outros em Saint Louis, no Missouri, também nos EUA. O trabalho de Sidney extrapolou as fronteiras do Brasil de maneira inusitada. “Eu fazia cartões de Natal para uma ONG. As pessoas sempre mandavam para o mundo inteiro e os convites para expor meu trabalho apareceram”, relatou.

Valor

Uma peça feita por Sidney pode custar entre R$ 70 mil e R$ 80 mil. Além de materiais nobres, ele usa artigos como pedras brutas em suas composições. “Já realizei obras de grande valor, mas minha arte é acessível a qualquer pessoa. Desde grandes personalidades a pessoas simples e desconhecidas. O importante para mim é que a arte tenha acesso a todos e isso é a minha maior recompensa”, afirmou. Em 26 anos de carreira, Sidney acumula 17 prêmios. Apesar do reconhecimento, mantém a simplicidade. “A estrela são as obras. Eu, não.”

Os adornos elaborados para a igreja, por exemplo, tiveram custos minimizados. “Fiz a um preço muito baixo por se tratar de uma igreja”, explicou. Com as imagens, Sidney pretende inspirar as pessoas. “Quero também provocar reflexão, sentimentos e comunicar. A verdadeira arte tem esse poder. Caso contrário, é um mero objeto de decoração”, afirmou. A próxima exposição de Sidney será em Los Angeles, no Consulado-Geral do Brasil. O tema será animais silvestres que perdem seus refúgios com a devastação ambiental.

Festejos

Além dos novos painéis, a paróquia organizou dois dias de festa para celebrar o Dia de São Miguel Arcanjo.
Data: 7 e 8 de outubro.
Local: Paróquia São Miguel Arcanjo e Santo Expedito, 303/304 Norte.
Horário: a partir das 18h.
Haverá barracas com comidas e bebidas e música ao vivo.
Entrada franca.

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