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Estado de Minas

Mensalidade nas escolas particulares do DF vai subir até 14%


postado em 05/10/2011 10:50 / atualizado em 05/10/2011 10:52

Os colégios particulares de Brasília decidiram subir o preço das mensalidades acima da inflação do período. Os valores pagos todo mês por pais ou responsáveis ficarão entre 11% e 14% mais caros em 2012, segundo levantamento do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe-DF) concluído esta semana. O reajuste médio de 12,5% supera em mais de cinco pontos percentuais o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) mais atualizado.

Desde 2008, os empresários da educação fazem contas e, com as mesmas justificativas, aplicam aumentos na casa de dois dígitos percentuais. O aumento acumulado nos últimos cinco anos, levando em conta os reajustes máximos, já chega a 73%. A inflação oficial medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no mesmo período não passa de 25%, quase três vezes menos.

Há um mês, o Correio publicou estimativa de reajuste para 2012 com base em consultas feitas a mais de 20 colégios. A variação informada à reportagem — de 6% a 10% — ficou aquém dos números finais. As unidades de ensino atribuem os aumentos à elevação dos preços de materiais de consumo, aluguel e tarifas públicas, além do salário dos professores que, no ano que vem, terão ganho real de 1,5%. Os investimentos em infraestrutura não entram nos cálculos.

Alterações na proposta pedagógica também são usadas como justificativa para os preços mais altos. Se a escola vai oferecer mais opções de língua estrangeira ou atividades culturais extras, por exemplo, as novidades inflacionam as previsões de gastos do estabelecimento e influenciam o valor das 12 mensalidades do ano seguinte. Geralmente, os colégios oferecem descontos para pagamento antecipado ou quando mais de um filho são matriculados.

O reajuste médio em Brasília não destoa do observado no restante do país, segundo a presidente do Sinepe-DF, Amábile Pácios, que também está à frente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep). “Não existe aumento. São apenas reajustes para que as escolas consigam arcar com os seus compromissos”, sustentou. As entidades representativas não interferem na definição dos aumentos anuais, mas auxiliam as escolas na elaboração da planilha de custos.

Em todo o DF, há cerca de 450 colégios particulares, sendo metade filiada ao sindicato. Os preços cobrados variam bastante. Em unidades do Plano Piloto, a mensalidade ultrapassa R$ 1,5 mil para alunos do ensino médio. No ensino fundamental, a taxa encosta nos R$ 1 mil nas opções mais caras. O período de matrículas começou no fim do mês passado. Até a primeira quinzena de novembro, todas as escolas terão aberto as portas para novos estudantes.

O administrador David Sabino, 49 anos, não gostou nem um pouco de saber que a mensalidade subirá bem acima da inflação. Os dois filhos, de 10 e 13 anos, estudam em escola particular. “Mais uma vez, o cidadão leva a pior. O salário dos pais não aumenta no mesmo patamar”, observou. Há três meses, Sabino mudou-se de Goiânia para Brasília. Ele ainda não se adaptou ao alto custo de vida da capital federal. “Tudo é mais caro. A mensalidade em Goiânia era 30% mais barata”, comparou.

Para as escolas, não há nada de anormal nos reajustes aplicados anualmente. “Todo mundo vai reclamar de novo, mas não podemos fazer diferente. Definimos os aumentos uma vez por ano e ainda corremos o risco de a economia mudar e complicar nossa situação”, argumentou a presidente do Sinepe-DF. A lucratividade média das escolas do DF, segundo ela, é de 3%. A inadimplência se mantém em torno de 15%, sendo que metade dos devedores quita a dívida antes da virada do mês.

Colaborou Mariana Branco

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