A morte do pastor José Ribamar Sampaio, 54 anos, que morava em Taguatinga, é investigada pela Secretaria de Saúde, pois existe a suspeita de que tenha sido provocada pela bactéria Streptococcus pyogenes, a mesma que vitimou quatro brasilienses nos últimos três meses. O material colhido está sob análise do Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF). Ainda não há prazo para a conclusão do laudo. Sampaio morreu no último dia 15, após dois dias de internação no Hospital Regional de Taguatinga (HRT). Sete pessoas da família que tiveram contato com ele receberam doses de benzetacil, um forte antibiótico, como medida preventiva. Até o momento, ninguém manifestou sintomas de males provocados pelo micro-organismo.
De acordo com a família do pastor, os problemas de saúde dele começaram no feriado de 12 de outubro. Sampaio passou a manhã em um pesque-pague, em Taguatinga. Ele teria machucado o dedo da mão ao pegar um peixe. A princípio, não sentia dor. Mas, no fim do dia, a situação se agravou e o homem procurou o HRT. ;Meu pai estava transtornado de dor. Mesmo assim, no hospital, anestesiaram o dedo, deram um outro analgésico e o mandaram para casa;, relata a filha, Rena Carusi de Araújo, 32 anos.
Quando o efeito anestésico passou, a dor voltou e mais uma vez a família procurou o HRT. Rena conta que teve de exigir melhor atendimento porque queriam liberar Sampaio novamente. O primeiro hemograma não mostrou alteração, mas o pastor permaneceu na unidade de saúde. O dedo machucado começou a ficar roxo e teve parte da extremidade retirada. O quadro de saúde do pastor se agravou e ele passou a vomitar até a medicação que recebia. ;A essa altura, já estávamos desesperados e queríamos levá-lo a um hospital particular. Não conseguimos a autorização, nem que alguém o atendesse melhor;, lembra Rena, revoltada. Sampaio era diabético.
Infecção generalizada
Entre os dias 12 e 15, quando o pastor morreu, ele teve dois derrames, necrose na mão afetada e uma parada cardíaca. Um segundo hemograma constatou infecção generalizada, mas ninguém soube dizer a causa. A filha lembra-se de um dos médicos ter dito que uma bactéria ;estava consumindo seu pai de dentro para fora;. Na noite do dia 14, Sampaio já estava em coma, respirando por aparelhos. Ele precisava fazer uma tomografia, mas o aparelho do HRT estava quebrado, de acordo com os familiares.
Indagada sobre o assunto, a Secretaria de Saúde disse que o hospital deveria ser procurado pela reportagem. No fim da tarde de ontem, porém, ninguém foi localizado na unidade para comentar o caso. ;Quero saber o motivo da morte do meu pai, que era uma bênção nas nossas vidas. E se for essa bactéria, queremos que isso seja divulgado para impedir que outras pessoas passem pelo que passamos;, desabafou Rena.
Outras vítimas
Na última quarta-feira, a Secretaria de Saúde confirmou que o micro-organismo foi decisivo para a morte de Davi Pereira Gomes Severo, 6 anos, que estudava na Escola Classe da 305 Sul. Ele faleceu no último dia 8, no Hospital Regional do Guará. O garoto apresentou quadro gripal, mas em apenas 24 horas teve complicações que evoluíram para óbito, mesmo recebendo atendimento na unidade de terapia intensiva (UTI). Dias antes, Fernanda Pires, 10 anos, que estudava no Marista, morreu em circunstâncias parecidas. As outras duas vítimas da bactéria são uma menina que também tinha 10 anos e uma mulher de 38 anos.