Publicidade

Estado de Minas

Exorbitante beleza da paisagem leva brasilienses a Sobradinho dos Melos


postado em 25/10/2011 08:06

O maranhense José Expedito Souza Viana chegou ao DF há pouco mais de um ano e conseguiu manter a mesma vida tranquila da roça de onde veio(foto: Zuleika Souza/CB/D.A Press )
O maranhense José Expedito Souza Viana chegou ao DF há pouco mais de um ano e conseguiu manter a mesma vida tranquila da roça de onde veio (foto: Zuleika Souza/CB/D.A Press )
Faz quase 30 anos que o maranhense Josimar Sampaio decidiu trocar a vida urbana e perigosa (àquele tempo) do Setor P Sul pela atmosfera rural e serena de Sobradinho dos Melos. Três décadas depois, cinco dos seis filhos, todos adultos, moram na chácara de 3,5 hectares, tendo ao fundo os morros que se prolongam em imenso chapadão. (O sexto filho planeja se mudar para junto da família, tão logo construa a casa). Dono do mercadinho Vitória, Josimar mora a menos de 100 metros do lugar em que trabalha. “Muitas das crianças que nasceram ao mesmo tempo que meus filhos lá no P Sul entraram na prostituição ou na bandidagem”, conta Josimar.

Depois de ter sido relojoeiro, trabalhado com extração de areia (“quando não era ilegal”), montado uma fábrica de cama feita com madeira reciclada, criado uma bem-sucedida fábrica de rodo, Josimar se aquietou na vendinha de Sobradinho dos Melos. “É melhor o pão seco com paz do que o boi gordo com tribulação”, diz ele, cercado do silêncio prolongado da área rural. Nesse tempo todo, Josimar construiu uma bonita casa para a família, e os filhos, à medida que foram se casando, ergueram suas moradias nas proximidades. “Minha alegria é ter todos eles perto de mim”, diz o comerciante de pipa, botina, ração, carne, xampu, sabonete, tomate, prego, sabão, chip de celular e muitas outras coisinhas mais.

Ao contrário do que se pode imaginar, num raciocínio automático, Sobradinho dos Melos não fica em Sobradinho. Faz parte da região administrativa do Paranoá, a 9km da zona urbana. A exorbitante beleza da paisagem tem atraído brasilienses que querem fugir dos atropelos da cidade grande, nem que seja nos fins de semana. Dona Joselina Morais, a Jô, mora de frente para as escarpas do chapadão. Como Josimar, ela também está trazendo os filhos adultos para perto dela. A filha Eva já está morando ao lado da mãe. “Vim pra cá faz sete anos, não aguentava mais a cidade. Aqui é outra coisa”, diz Jô, dona de um restaurante que funciona de sexta a domingo e oferece ao freguês carneiro, galinha caipira, caldos e pizza.

Bem perto da vendinha do Josimar e da lanchonete da Jô, passa o Rio São Bartolomeu, o maior do Distrito Federal, que corta o quadradinho no sentido norte-sul. Caudaloso, de águas turvas, o Bartolomeu conserva as margens protegidas pela mata de galeria, pelo menos no trecho próximo ao núcleo povoado de Sobradinho dos Melos. O asfalto ainda não chegou à região e é essa a maior das reivindicações dos moradores: “Na seca, a poeira adoece nossas crianças e, na chuva, a lama não deixa nem o ônibus passar”, conta Raquel Sampaio, filha de Josimar, que desde 1 ano de idade vive de frente para o chapadão. “Aqui é muito bom, mas a gente, às vezes, se esquece disso.”

Ponte velha: Tábuas de madeira espessa sustentam a travessia do mais extenso rio do Distrito Federal, o São Bartolomeu(foto: Zuleika Souza/CB/D.A Press )
Ponte velha: Tábuas de madeira espessa sustentam a travessia do mais extenso rio do Distrito Federal, o São Bartolomeu (foto: Zuleika Souza/CB/D.A Press )

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade