Os conflitos nas obras do Setor Noroeste estão longe de acabar. Na manhã desta sexta-feira (4/11), índios que habitam a região apresentaram uma decisão judicial da última semana e paralisaram o trabalho em duas das três obras da região, considerada por eles um santuário indígena. Cerca de 40 manifestantes ainda ocupam a área, mas não houve confronto.
As construtoras conseguiram, no último dia 21, a liberação da área para a construção dos prédios. Entretanto, os índios alegam que apenas a construtora Emplavi tem essa autorização. Com isso, as máquinas das construtoras Brasal e João Fortes foram retiradas. Cerca de 15 índios permanecem nas imediações do terreno junto aos manifestantes. Policiais militares e seguranças das empresas também cotinuam no local.
Às 15h, representantes da Polícia Militar e advogados das empresas devem se reunir com magistrados. A intenção é chegar a um consenso sobre os constantes conflitos e falar sobre a última liminar, que solicitava reforço policial para que as obras voltassem.
Liminar
As construtoras entraram com uma ação e conseguiram a liberação da área para a construção dos prédios. No último dia 21, a 11; Vara do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) solicitou ao GDF reforço na segurança para que a ordem fosse cumprida. Os manifestantes impediram a retomada das obras com o argumento de que outras duas empresas que não estavam protegidas pela decisão também estavam desmatando o cerrado nativo nos terrenos vizinhos. Eles ainda questionam a delimitação da área indígena, restrita a 4,1 hectares. Oito famílias das tribos indígenas Kariri Xocó e Tuxá já concordaram em ser transferidas para a Reserva do Bananal, mas uma família da etnia Fulni-ô permanece no local e não está aberta a negociação.
[SAIBAMAIS]Nova área
Uma decisão, assinada no dia 18 de outubro, oferece uma área de 12 hectares aos índios que vivem na região. O novo local fica entre a Água Mineral e o Noroeste. A Terracap tem um prazo de 60 dias, a partir da assinatura, para apresentar o cronograma para a criação da nova reserva indígena.
Memória
A confusão começou no dia 6 de outubro, quando as empresas começaram a cercar algumas regiões para dar início às obras. Os índios afirmam que o local é um santuário e que uma área de 50 hectares deve ser respeitada. O terreno está sob avaliação judicial e nos últimos 30 dias tem sido palco de conflitos e disputas por parte de empresas e manifestantes que defendem os índios.
Aguardem mais informações