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Estado de Minas

Supervisores pedagógicos voltarão às salas de aula em escolas públicas


postado em 12/11/2011 08:20 / atualizado em 12/11/2011 08:25

Carolina Moura, professora de inglês do CEF 4, diz que se sente desestimulada com a decisão da secretaria(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)
Carolina Moura, professora de inglês do CEF 4, diz que se sente desestimulada com a decisão da secretaria (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)

Uma reestruturação nas escolas públicas do Distrito Federal preocupa pais, alunos e professores. Sob a justificativa de corrigir distorções e racionalizar a distribuição da força de trabalho nas instituições de ensino, a Secretaria de Educação vai exonerar os supervisores administrativos e pedagógicos em alguns estabelecimentos. A ideia é que eles voltem para as salas de aula. Atualmente, cada um dos 649 colégios conta com esses dois profissionais para dar suporte ao trabalho dos professores, elaborar programas de ensino e conversar com as famílias sobre os problemas enfrentados nas escolas. No setor burocrático, eles desempenham funções como preparar as folhas de ponto, organizar as férias e analisar atestados.

As mais afetadas serão as instituições de ensino com menos de 500 alunos. As de jardim de infância e as que não têm período noturno terão os dois cargos extintos. Aquelas que possuem até mil estudantes poderão ficar com somente um profissional. A ideia inicial era que o remanejamento fosse feito ainda este mês. Mas a secretaria voltou atrás e, por meio de nota, afirmou que o processo só será iniciado após a conclusão do ano letivo.

Esses servidores não podem ser demitidos das escolas por serem concursados. A função de supervisor é comissionada e acresce aos salários deles cerca R$ 1 mil. Caso exonerados, os profissionais voltarão a dar aulas. Segundo Washington Dourado, diretor do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF), a mudança é um “equívoco”. “É uma alteração feita de forma intempestiva. A sociedade não foi ouvida. Precisamos de mais professores nas salas de aula, mas não é assim que o problema será resolvido”, disse, ressaltando que os mais prejudicados com a medida serão os alunos.

O presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do Distrito Federal (Aspa), Luis Claudio Megiorin, diz que, mais uma vez, os responsáveis pelos estudantes ficaram de fora da discussão. “Assim não é possível fazer um processo democrático. Nós temos o contato direto com os supervisores pedagógicos. São eles que nos informam como anda o comportamento dos nossos filhos. É um absurdo extinguir essa função”, ressaltou.

Apreensão
No Centro de Ensino Fundamental (CEF) nº 4 de Brasília, a notícia deixou a comunidade escolar apreensiva. “Eles ligaram para a gente ontem (quinta-feira) pedindo a exoneração para a próxima segunda-feira. Agora voltaram atrás e as mudanças serão só no ano que vem. Isso não muda as perdas que teremos”, analisou a diretora do colégio, Carmen Lúcia Silva. A escola tem 489 alunos, sendo que 37 necessitam de cuidados especiais. Devido a esse quantitativo, a instituição ficará sem os supervisores pedagógico e administrativo. Até a atribuição de comprar merenda passaria a ser da diretora.

Segundo Carmen Lúcia, a interação com os pais e alunos ficará prejudicada. Além disso, caso a diretora e a vice adoeçam, sobraria somente o secretário para cuidar de toda a escola. Em caso de férias, a situação seria ainda mais complicada. Responsável por 14 turmas, nos períodos matutino e vespertino, a professora de inglês Carolina Moura diz que se sente desestimulada com a decisão. “Trabalhamos muito para manter um ensino de qualidade. Subimos nosso conceito no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Com essa decisão, não podemos garantir o mesmo desempenho”, disse. Além disso, ela não sabe como vai agir quando tiver algum problema em sala de aula. “Em casos de indisciplina, mandamos os alunos para a supervisora pedagógica. Ela tem atribuições para isso. Conversa com os pais, com o aluno, resolve a situação. E agora? O que vamos fazer?”, indagou.

Em outra escola da Asa Sul, desta vez de ensino médio, um aluno diz que teria sérios problemas, caso o pedagogo não tivesse ajudado no tempo certo. “Tive uma briga com um professor. Em vez de chamar a polícia, a supervisora conversou comigo e chamou meus pais para resolver a situação”, relatou. Para ele, se a intervenção dessa profissional não fosse feita, seria muito pior. Por meio de nota, o secretário de Educação, Denilson Bento da Costa, assegura que a reorganização não causará prejuízos à conclusão dos trabalhos escolares, visto que será implantada após o término do ano letivo. Ele reforçou que a ideia é reorganizar a força de trabalho nos colégios.

(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)

Eu acho...
“Esses supervisores não podem faltar em um colégio. Eles são importantes para resolver problemas antes de chegar até a diretoria. Tudo é feito na base da conversa, considerando nossos direitos e nos respeitando. É a supervisora pedagógica que atua até nos casos de bullying. Ela já trocou alunos de sala para melhorar o convívio entre os colegas. Acho essencial.”

Isabel de Sena, 16 anos, aluna do 2º ano do ensino médio

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