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Estado de Minas

Nem só de quartéis e homens armados é feito o Setor Militar Urbano

Entre os nobres Sudoeste e Noroeste, a área abriga quase 700 privilegiadas famílias, que moram em amplas casas com muito verde ao redor


postado em 20/11/2011 08:48

As casas, com até 210 metros quadrados de área construída, têm jardim e quintal, além de calçadas bem cuidadas: jeito de cidade do interior(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)
As casas, com até 210 metros quadrados de área construída, têm jardim e quintal, além de calçadas bem cuidadas: jeito de cidade do interior (foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)

Imagine morar em uma quadra do Plano Piloto sem congestionamentos de veículos nem qualquer tipo de poluição sonora, com vários acessos, muitas praças com coretos e bancos, quadras poliesportivas e parquinhos preservados, em uma casa com até 210 metros quadrados de área construída, varanda, jardim e quintal amplo. Se não bastasse, sendo possível ir a pé ao clube, à escola das crianças e ao trabalho. Tudo com muita segurança e ainda um hospital de qualidade e atendimento gratuito. Esse lugar existe, mas não está à venda. O nome? Setor Militar Urbano.

Mais conhecido pela sigla, o SMU fica entre o Sudoeste e o Noroeste, onde o metro quadrado custa, em média, R$ 10 mil. O setor abriga uma vila com 635 casas, destinadas apenas a integrantes do Exército e seus familiares. Há ainda dois blocos de dois pavimentos com oito apartamentos cada, só para oficiais solteiros. Gente vinda de todo o país para servir no Quartel-General ou nos nove quartéis vizinhos. Fora do expediente, esses militares e seus parentes, cerca de 2,5 mil pessoas, levam uma vida com qualidade alta até para os padrões brasilienses.

Para se ter uma ideia do conforto, no Plano Piloto não há residências similares às do SMU em termos de privacidade. Diferentemente das casas das asas Sul e Norte e do Cruzeiro Velho, nenhuma residência do setor militar é geminada. Todas, além das largas e muito bem conservadas calçadas na frente e do estacionamento coberto, contam com jardins e quintais. Para ocupar um desses imóveis funcionais, o militar paga um percentual do salário. Em média, R$ 300 mensais. Uma pechincha, se comparado a residências parecidas das áreas nobres de Brasília, onde o aluguel não sai por menos de R$ 3 mil.

Benefícios
Após morarem no Rio de Janeiro, em Jataí (GO), Boa Vista (RR), Campina Grande (PB), Resende (RJ) e Santa Maria (RS), o major pernambucano Geraldo de Barros Cavalcanti Junior, 41 anos, e sua família reconhecem o privilégio de ocupar uma das casas do SMU. “Aqui, a gente se sente como em um condomínio fechado, mas com ele aberto, sem muros”, destaca Alessandra Ribeiro Cavalcanti, 37, mulher do oficial. “Parece cidade do interior, mas dentro de uma capital”, completa Gabriela, 15, filha mais velha do casal, que ainda tem Manoela, 1 ano.

O major Cavalcanti Junior ressalta a tranquilidade de ter a mulher e as filhas por perto. “Aqui, estão nossos amigos, o clube que frequentamos e ainda há espaços para caminhadas. Minha filha estuda no Colégio Militar (902/904 Norte), também muito perto”, comenta. Os Cavalcantis moram em uma casa de 127 metros quadrados, com três quartos, duas salas, dois banheiros, cozinha, dependência de empregada, churrasqueira, garagem, varanda e um quintal com piscina. De lá, se vai a pé ou de bicicleta a um dos dois clubes do SMU.

Outro morador e trabalhador do setor, o primeiro-tenente Edmilson Pêgas de Souza, 48 anos, só troca a bicicleta pela moto, sua paixão. No SMU, não corre tanto risco de ser atingido por carros e veículos pesados, como no restante do Distrito Federal. “Poucos lugares oferecem tanta tranquilidade, segurança e lazer como aqui”, afirma ele, nascido e criado em Manhuaçu (MG), que também já morou com a mulher servindo o Exército no Rio de Janeiro e em Manaus (AM).

Vizinho e colega de quartel do primeiro-tenente Pêgas, o capitão da Polícia do Exército (PE) Rafael de Uzeda Almeida Pinto, 33 anos, também elogia a segurança proporcionada à família no SMU. “Para criança, aqui é maravilhoso. Moro em frente a uma praça e ao lado de uma área verde, onde meus filhos e os vizinhos construíram uma casa em uma árvore”, ressalta ele, nascido em Niterói (RJ). Dos quatro filhos, de 1 a 10 anos, três frequentam a creche Soldadinho de Chumbo e a Escola Classe do SMU (mantida pelo GDF), no Setor Militar Urbano. O mais velho assiste a aulas no Colégio Militar.

Personalidades
Tom Jobim, Cora Coralina, Rubem Braga, Ayrton Senna. As quatro praças do SMU levam os nomes de talentosos brasileiros. Com um coreto ao centro e muitos bancos ao redor, todas têm o cuidado que merecem essas personalidades. Os gramados estão sempre muito bem aparados. Não há buracos nas calçadas nem meios-fios quebrados. Muito menos pichações ou qualquer outro sinal de vandalismo. Quase permanentemente, os espaços públicos contam com um soldado da Polícia do Exército (PE) fazendo ronda.

Os militares da PE também organizam o trânsito no SMU, com intenso movimento somente por volta das 8h e das 17h dos dias de semana, horários de começo e fim de expediente dos quartéis. Nas unidades do Exército do Setor Militar Urbano trabalham cerca de 15 mil pessoas. Já a casa dos oficiais e outros prédios do Exército no SMU são mantidos por um batalhão de 821 homens e mulheres da Prefeitura Militar de Brasília. O contingente conta com bombeiros hidráulidos, engenheiros, pintores, marceneiros entre outros profissionais, civis e militares. “Cuidamos da manutenção estrutural dos imóveis”, explica o major Everaldo Simões Gomes Júnior, chefe da seção de pessoal da Prefeitura Militar.

Diferentemente do que alguns possam pensar, o SMU não é uma área de segurança nacional. Os acessos são restritos nos quartéis. Mas todas as vias, praças e quadras residenciais do setor são públicas, por isso a iluminação, o esgoto, a água e a pavimentação desses espaços ficam a cargo do Governo do Distrito Federal. Sendo assim, qualquer um pode transitar pela vila. No entanto, é uma liberdade vigiada. Pessoas estanhas aos militares estão sujeitas à abordagem dos soldados da PE. A colocação de guaritas para o controle do acesso à vila, com identificação de todos os não moradores, está sob análise do Comando Militar do Planalto. No entanto, tal medida esbarra em questões jurídicas, justamente por se tratar de espaços públicos.

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