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Estado de Minas

Corumbá de Goiás se destaca como uma das principais atrações da região

Corumbá tem o encanto interiorano que faz a fama das cidades vizinhas, como Pirenópolis, mas a preços módicos


postado em 18/12/2011 08:00 / atualizado em 19/12/2011 11:58

Monique Renne/CB/D.A. Press(foto: A cidade se desenvolveu ao redor da Igreja de Nossa Senhora da Penha de França, fundada no século 18 e hoje considerada patrimônio nacional. O principal atrativo da região, porém, ainda são as numerosas quedas d'água)
Monique Renne/CB/D.A. Press (foto: A cidade se desenvolveu ao redor da Igreja de Nossa Senhora da Penha de França, fundada no século 18 e hoje considerada patrimônio nacional. O principal atrativo da região, porém, ainda são as numerosas quedas d'água)

Quem passa pela BR-414 geralmente tem destino certo: a cidade histórica goiana de Pirenópolis. No caminho, o Salto de Corumbá chama a atenção pela grandiosidade e pela beleza, levando muitos turistas a parar no mirante à beira da estrada antes de seguir viagem. Mas a região de Corumbá de Goiás tem outros atrativos além da cachoeira. Vale a pena dar um esticadinha e fazer o passeio completo.

Para começar, na mesma fazenda em que está o salto, existem outras seis cachoeiras, como a do Ouro, a do Rasgão e a da Gruta. Já Monjolinho e Sonho meu são exemplos de quedas d’água nas redondezas, mas fora da propriedade. Os fãs dos esportes radicais podem aproveitar as curvas do Rio Corumbá para praticar rafting — e os paredões das cachoeiras para escaladas e rapel. O terreno acidentado vira atração de quem gosta de ciclismo.

Além das opções relacionadas ao ecoturismo, Corumbá é um atrativo para quem gosta de história. A cidade faz parte do ciclo do ouro goiano, como a Cidade de Goiás, Pirenópolis, Cocalzinho, Jaraguá e Abadiânia. O conjunto arquitetônico é do século 18 e está bem conservado, principalmente a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França e o Cine Teatro Esmeralda, reinaugurado no início do mês, após restauração.

A matriz foi a primeira construção de alvenaria da cidade e exibe, no teto, um afresco retratando uma aparição de Nossa Senhora dos Pirineus franceses. Isso porque a descoberta de ouro na região se deu em um dia consagrado à santa. Os bandeirantes paulistas responsáveis pela empreitada tomaram o acontecimento como uma bênção e elegeram, assim, a padroeira do incipiente povoado. Ao redor do templo, os pioneiros levantaram diversos ranchos. É esse conjunto de construções que foi tombado como patrimônio histórico e artístico nacional em 1988. Nesta época do ano, enfeites natalinos deixam o casario ainda mais bonito.

O clima interiorano acaba sendo outro atrativo. A cidade é silenciosa e perfeita para quem quer descansar. O turista, porém, não encontrará uma boa estrutura de informações e de atendimento especializado. O Centro de Atendimento ao Turista ainda é recente e pouco equipado. Outra amostra da não profissionalização do turismo é o Memorial dos Imortais, na sede da Secretaria de Educação. Não existe um horário exato de funcionamento. Se quiser visitá-lo, o forasteiro terá de bater à porta da dona Maria do Carmo — é ela quem cuida do acervo de corumbaenses ilustres, como os escritores Bernardo Élis e José J. Veiga.

As celebrações religiosas são um capítulo à parte. Entre 11 e 21 de janeiro, ocorre o festejo em homenagem a São Sebastião. Além das orações, há barraquinhas e cavalgada. Em setembro, é a vez das cavalhadas, tradicional encenação da luta entre cristãos e mouros.

Destaque nas letras
José J. Veiga e Bernardo Élis são escritores goianos nascidos em Corumbá. Veiga nasceu em 1915 e estreou na literatura um pouco tarde, aos 44 anos. Foi reconhecido na literatura brasileira pelo livro Os cavalinhos de Platiplanto. A obra ganhou o prêmio Fábio Prado em 1959. O autor faleceu em 1999, no Rio de Janeiro. Bernardo Élis, também nascido em 1915, foi o primeiro goiano a entrar para a Academia Brasileira de Letras. Morreu em 1997. Entre as suas principais obras estão O tronco e apenas um violão.

(foto: Monique Renne/CB/D.A. Press)
(foto: Monique Renne/CB/D.A. Press)

Serviço
» Estrada: BR-070 e BR-414. A 070 é duplicada e a 414 tem pista única. Pista bem sinalizada. Cuidado apenas com o excesso de velocidade dos outros motoristas e com os pedestres de cidades como Águas Lindas de Goiás.
» Distância de Brasília: 118km
» Tempo de duração da viagem: média de 1h20.
» Voltagem: 220V
» Sinal de celular e internet: Pouco sinal. Tim e Vivo são as operadoras com melhor sinal.
» Leitos: 349
» Média de preços dos camping: R$ 15 por pessoa
» Diária média das pousadas: R$ 90, o aposento de casal.

 

Preciosidades naturais

Com 65m de altura e 40m de largura, o Salto do Corumbá é a principal atração turística da região. São cerca de 800m de trilha até alcançar as águas. Nos trechos de maior dificuldade, o viajante encontrará escadas de madeira e corrimão. A história do Salto também está ligada à mineração. No fim do século 19, o minerador Alferd Arene construiu um canal por onde o rio era desviado até o Córrego Rasgão. A ideia era garantir a garimpagem, secando a cachoeira. O poço de onde os minérios eram extraídos é conhecido hoje como Poço Rico. “Depois, o dono daqui pediu para que o canal fosse desfeito e o salto voltasse. Acho que tem uns 30 anos que o salto voltou”, calcula Laércio Reginaldo Lima, 42 anos, gerente do Salto do Corumbá Camping Clube Hotel há 23.

A Cachoeira da Gruta é outro ponto interessante porque a água cai do paredão em uma gruta. A trilha é de menos de um quilômetro e é mais fácil do que a do salto. “Fiquei encantada com a preservação ambiental. Tudo aqui é muito lindo”, conta a estudante Gracielle Oliveira, 26 anos. Ela, o namorado e a mãe visitaram o parque na volta de Pirenópolis para o Novo Gama (GO). “Se soubéssemos que era tão lindo, teríamos vindo antes”, diz a mãe da jovem, Tereza Oliveira, 53.

O parque ecológico está localizado em uma fazenda, cuja estrutura é de uma pousada. Pagando R$ 160 a diária para casal, os hóspedes têm acesso às seis cachoeiras da propriedade, ao toboágua e às piscinas de água natural. Quem preferir acampar, o mesmo pacote sai por R$ 20 por dia, nos fins de semana. O quilo da comida é R$ 18,90 e o cardápio é bem simples, com arroz, feijão, carne, frango, macarrão e salada.

O preço acessível faz com que o parque fique muito cheio aos sábados e domingos. O som automotivo é liberado e isso prejudica os turistas que preferem sossego. Outro defeito é não existir uma área específica para camping. As barracas por todo lado diminuem a beleza do clube. “Estamos tentando diminuir a sujeira e conscientizar o público, que tem mudado bastante suas ações nos últimos tempos”, garante o gerente.

Existem outras opções de pousadas na região. De um modo geral, elas oferecem bons exemplos da cozinha goiana, como frango caipira, feijão tropeiro e quitutes variados. É possível aproveitar os restaurantes sem, necessariamente, se hospedar. A Pousada Serra da Irara, por exemplo, trabalha nesse esquema. Já na cidade, as opções gastronômicas são escassas. 

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