Duas mil crianças tiveram ontem um domingo inesquecível na Festa de Natal Correio Braziliense Solidário. O evento, feito com a colaboração de 250 voluntários e o apoio de 17 empresas parceiras, atraiu meninos e meninas, de 4 a 6 seis anos, de 19 creches do Distrito Federal. Já na chegada ao Colégio Mackenzie, local da celebração, a criançada foi recebida por personagens como a Cinderela e a Branca de Neve, e saudada com calorosos ;bom-dias; puxados pelos voluntários.
No percurso entre os ônibus e as quadras poliesportivas cobertas, onde foi realizada a festa, as crianças ganharam balinhas e muitas correram em direção ao personagem favorito para um caloroso abraço. Entre os mais assediados estavam o Mickey, a Minnie e o Pato Donald, que fizeram uma manhã de alegria para os pequenos.
Descalços desde a descida do transporte, os meninos e as meninas correram em direção aos inúmeros pula-pulas, camas elásticas e piscinas de bolas. Brincaram de pintar com tinta guache, jogaram, correram muito e, nem na hora de lanchar, ficaram quietos. José Henrique da Silva, 5 anos, estava tão empolgado que comeu de uma só vez um pedaço inteiro de minipizza. ;Eu vim aqui para brincar e comer;, contou, enquanto conversava com o colega Gabriel Alves, 6, também aluno do Centro Comunitário da Criança, em Ceilândia.
Presente em todas as nove edições da festa, o diretor presidente do Correio, Álvaro Teixeira da Costa, comemora o sucesso do evento. ;É o dia mais emocionante do ano. Trabalhamos o ano inteiro para levar melhorias às instalações das creches e a festa é a coroação de todo esse esforço. São crianças que não têm facilidade no dia a dia. Portanto, é um dia especial para elas;, afirmou. Álvaro acrescenta que tem trabalhado para que o programa se fortaleça cada vez mais e continue beneficiando instituições carentes.
Ao fim das quatro horas de festa, que também contou com a participação de animadores e muita música, aconteceu o momento mais esperado da manhã: a chegada do Papai Noel. Sentadas lado a lado, em frente ao palco, as crianças saudaram o bom velhinho. Cada uma ganhou um presente, embrulhado em pacotes grandes ; em muitos casos, quase do tamanho dos pequenos. Na hora de voltar para o ônibus, ainda ganharam um kit com guloseimas, como balinhas, pipoca e chocolate.
;Adorei o meu caminhãozinho. Foi muito legal brincar aqui e ver o Papai Noel;, disse o morador de Ceilândia Ítalo Lopes, 6 anos, que voltou para casa ;colorido; de tinta guache dos pés à cabeça. Animada, a falante Bárbara Hellen Veiga, 5, fazia questão de dizer a todos que pintou uma borboleta na própria mão. ;Eu gostei de tudo, principalmente de ver o Mickey e a Minnie. Também vi um jacaré, brinquei no pula-pula e no escorregador;, contou.
O Correio Braziliense Solidário beneficia atualmente 17 creches e um abrigo de idosos. Para a presidente do programa, Nazareth Teixeira da Costa, não há trabalho mais emocionante que levar alegria a crianças carentes. ;Ao longo do ano, visitamos as creches e fazemos doações para as mais necessitadas. É um trabalho gratificante;, declarou. A coordenadora do programa e organizadora da festa, Andréa Nalini, ressalta a importância dos voluntários. ;Tivemos ajudantes com idades entre 13 e 80 anos. Sem eles e as parcerias, seria impossível fazer a festa;, destacou.
A primeira-dama do DF, Ilza Queiroz, fez questão de prestigiar a festa. ;O Natal é um momento de inspiração, é uma época em que todos devemos ajudar os mais necessitados. Não só fazemos a alegria das crianças, como também ficamos felizes ao ajudar as crianças, que são sempre honestas. Essa iniciativa é muito positiva.;
Padrinho e apoiador do evento, o empresário Paulo Bessa passou a manhã comandando o setor de alimentação da festa. Segundo ele, mais de 2 mil minipizzas foram distribuídas. ;É uma maneira de retribuir o carinho que as pessoas da cidade têm por nós. É emocionante. Nos sentimos muito bem com esse gesto. Fico ainda mais satisfeito porque tenho funcionários com filhos nessas creches;, disse.
Também apoiador da festa, o empresário Luiz Fernando Domenico colaborou durante toda a manhã com as atividades. Ele auxiliou as crianças a fazer trabalhos de pintura e, depois, ajudou na entrega dos presentes. ;Nós, como empresa, temos um importante papel social, não só de recolher impostos, mas também de participar de programas de assistência aos carentes.;
Ajudantes
Assídua da Festa de Natal do Correio Braziliense Solidário, a servidora pública Severina Oliveira, 48 anos, levou 13 familiares para ajudar. Participante desde a primeira edição do evento, disse ter feito as inscrições no primeiro dia para garantir a participação dela e de seus parentes. ;Sou assinante do Correio há mais de 10 anos e faço questão de estar aqui todos os anos. É um trabalho bonito, não só porque ajudamos as crianças, mas também porque nos sentimos bem. Plantei essa semente e tenho a certeza de que, quando eu não puder vir mais, minha filha e meus sobrinhos virão;, frisou.
Severina convenceu até a irmã e o cunhado a anteciparem a vinda do interior de Minas Gerais a Brasília especialmente para colaborarem com a festa. A dona de casa Rosali Pereira, 60, resumiu a felicidade de ter sido voluntária: ;É uma compensação que não há dinheiro no mundo que pague. Eu me sinto aqui como uma criança;, relatou.