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Estado de Minas

Fãs reclamam da entrega de ingressos para show de Paulinho da Viola


postado em 05/01/2012 08:06 / atualizado em 04/01/2012 22:13

Pessoas aguardam no saguão da sala Villa-Lobos, na esperança de conseguir entradas para o festival: insatisfação(foto: Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press)
Pessoas aguardam no saguão da sala Villa-Lobos, na esperança de conseguir entradas para o festival: insatisfação (foto: Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press)

A distribuição dos ingressos para o show de abertura do Festival Internacional de Artes de Brasília, prevista para as 14h de quarta-feira (4), deixou muita gente insatisfeita. A fila para pegar as entradas gratuitamente para os shows de Paulinho da Viola, Reco do Bandolim e do grupo Choro Livre começou a se formar às 10h, segundo o site da Secretaria de Cultura, e antes da abertura dos guichês já havia mais de mil pessoas na espera. O show ocorreu às 21h, na sala Villa-Lobos.

A atriz Ana Regina Neri, fã de Paulinho da Viola, estava indignada. Ela alega que chegou ao local às 12h. “Os funcionários do teatro informaram que foram distribuídas 800 entradas. Não tinha nem 200 pessoas na minha frente, mas eu não vi a cor do ingresso. Se o evento é feito para o povo, tem que ser para o povo”, desabafou. A professora Aline Mousinho perdeu o horário de almoço para ir ao teatro em busca de um ingresso, mas também saiu de mãos vazias. “Dão muita cortesia para esses ministérios. Deviam dar para quem gosta. Eu sou fã de Paulinho da Viola. Mesmo sem convite, vou voltar aqui à noite”, prometeu. O argentino Walter Ohringer, que chegou tarde demais, ficou desapontado. “Eu vim exclusivamente de Buenos Aires para ver o Paulinho da Viola!”

Fátima Prado, técnica de atividades culturais do teatro, disse que o tumulto é comum. “Toda vez que tem evento gratuito é assim mesmo. Os ingressos acabam rápido e sempre há confusão”, afirmou. Dos 1.307 lugares da Sala Villa-Lobos, 900 seriam destinados ao público e 400 foram reservados para autoridades do governo, de acordo com a gerência do Teatro Nacional.

As informações da coordenação do evento e da gerência do teatro se contradizem. Segundo Fátima de Deus, coordenadora do festival, foram distribuídos ao público 1.100 ingressos. “Mas cada pessoa recebe duas entradas”, informou. No entanto, de acordo com Fátima Prado, 400 ingressos foram destinados ao alto escalão do governo, convidados do governador e ministérios.

As informações deixaram ainda mais insatisfeitos aqueles que queriam assistir aos shows da noite. “Acho desonesta essa distribuição. Não justifica que autoridades pagas com recursos públicos tenham ainda mais esse privilégio”, reclamou Yonaré Barros, pedagogo. Mesmo sem ingresso, algumas pessoas permaneceram no teatro em busca de explicações da gerência e da organização do evento.

A coordenadora do festival, realizado com recursos da Secretaria de Cultura, explicou que não foi possível levar as apresentações para um local maior. “Não tínhamos condições de levar o show para o Centro de Convenções, que tem espaço para 3.100 pessoas, por exemplo, pois não teríamos como pagar a luz e o som que o local pede”, explicou. Fátima de Deus garantiu que, na próxima edição, o festival poderá atender a um público maior. “Pretendemos levar as atrações para ginásio, pois já fomos procurados por empresas que pretendem patrocinar o evento.” Segundo a coordenadora, entre cachês, passagens, hospedagens, alimentação e transporte interno, será gasto R$1,5 milhão. “São 54 apresentações com a participação de cerca de 500 artistas, sendo 200 de Brasília e 300 nacionais e internacionais”, informou.

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