Em um ano, a taxa de aprovação dos bacharéis em direito no Exame Unificado da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) quase dobrou. Conforme lista divulgada ontem pela entidade, 24,05% dos candidatos, ou seja, 26.010 pessoas, passaram no teste. O índice é bastante superior aos 11,73% registrado entre os que fizeram a prova em dezembro de 2010, quando foi aferida a maior taxa de reprovação da história. No DF, 1.004 candidatos foram aprovados nesta edição.
O presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, considerou o resultado o mais expressivo dos últimos anos. ;Acredito que, a partir de agora, vamos estacionar nesse patamar, que eu considero bem razoável para a qualidade de ensino jurídico no país;, avalia. Para ele, as instituições têm preparado melhor os alunos. ;Não tenho dúvidas de que a fiscalização social e as radiografias das universidades por meio dos resultados da OAB fizeram com que elas tivessem um olhar mais preparado. Afinal, as pessoas procuram faculdades com bons resultados;, avalia. Segundo a entidade, 108.335 pessoas prestaram o concurso.
Aprovada na prova da Ordem aos 20 anos, Thais Barbosa Alencar é considerada a mulher mais jovem a se tornar a advogada no Distrito Federal. Na sua avaliação, o maior problema do teste é o tempo curto para realizar as questões. Porém, segundo a advogada, o conteúdo cobrado na última edição estava dentro do esperado pelos candidatos. ;Ter concluído tudo e passado representa um alívio muito grande;, admite.
Thais ainda lembrou que, na segunda fase da prova, os cadernos de direito penal e constitucional apresentaram erros. Na ocasião, a OAB informou que ;as erratas foram comunicadas (aos candidatos) em tempo hábil e concedidos 30 minutos como tempo extra; para a resolução. Mas Thais conta que os fiscais só comunicaram o problema após duas horas do início da prova.
O professor de direito constitucional da Universidade de Brasília (UnB) Paulo Blair avalia que uma das hipóteses para o aumento no número de aprovados nesta edição é, assim como acredita o presidente da Ordem, a melhoria do ensino jurídico hoje. Segundo o especialista, o baixo desempenho dos candidatos nos anos anteriores era um reflexo da banalização e da expansão em massa da oferta dos cursos de direito registrada a partir da década de 1990. ;Só agora, estamos revertendo esse quadro negativo. Acredito também que as faculdades têm sofrido apertos de instituições de acompanhamento de ensino e, por isso, houve uma melhora nos índices;, argumenta. De acordo com a OAB, há, atualmente no Brasil, 1,2 mil cursos de direito.
Ranking
O ranking das instituições mais bem colocadas do Brasil será divulgado na segunda-feira. Tradicionalmente, a Universidade de Brasília figura na lista das 10 melhores instituições do país. Na última edição da prova da OAB, a entidade ficou em quinto lugar, garantindo a aprovação de 62,5% dos estudantes inscritos. Para Paulo Blair, um dos diferenciais da UnB é o processo seletivo. ;Temos alunos muito bem preparados, além de um ambiente que estimula o ensino;, ressalta o docente.
Os bacharéis em direito interessados em fazer a próxima edição do Exame de Ordem podem se inscrever até a próxima segunda-feira, no site da FGV Projetos ; www.fgv.br/fgvprojetos/;, organizadora do concurso. A prova da primeira fase será realizada em 5 de fevereiro e, a segunda, em 25 de março.
Desafio
O Estatuto do Advogado prevê até três exames de Ordem por ano. Porém, em 2009, a OAB cancelou uma das edições após suspeitas de vazamento de gabarito. A partir de 2010, a prova passou a ser unificada em todo o país. Confira os índices de aprovação das últimas edições:
2009
1; edição - 19,48%
2; edição - 24,45%
2010
1; edição - 14,03%
2; edição - 16,00%
3; edição - 11,09%*
2011
1; edição - 15,02%
* Esse foi considerado o pior resultado da história da entidade