Jornal Correio Braziliense

Cidades

Pai de servidor morto em assalto na 413 N escreve sobre a morte do filho

Dizem que poucas perdas são mais dolorosas do que as que sofrem os pais ao verem partir seus filhos deste mundo. É claro que toda morte nos entristece. Mas o desaparecimento de um filho, causado por morte violenta, um assassinato, é ainda mais difícil de suportar.

Somem-se a isso as circunstâncias do fato. Feriado de Sexta-feira Santa, um momento de descanso depois de pedalar por Brasília, um lanche com a esposa e a filhinha de menos de um ano. Um assalto em área próxima, um tiro aleatório dado pelo ladrão em fuga. E a bala que vai pôr fim à vida de meu filho Saulo, às vésperas de comemorar seu aniversário de 32 anos.

Onde quer que o tiro tivesse atingido, seria no coração, pois Saulo era só coração. Ele sempre foi da paz, sorriso escancarado, um ser humano solidário. Desde pequeno, se batia contra as injustiças que marcam nossa sociedade. Jamais deixaria se mover pelos desejos irracionais da vingança e do olho por olho, na busca de uma reparação. Ele acreditava na justiça e nas instituições.

(Roberto Jansen é pai de Saulo Jansen, 31 anos, assassinado na 413 Norte durante um assalto na Sexta-Feira Santa)