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Estado de Minas

Morte de índio queimado vivo em Brasília completa 15 anos


postado em 20/04/2012 18:53 / atualizado em 20/04/2012 21:40

Velório do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, queimado no dia 20/4/1997 em Brasília(foto: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press)
Velório do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, queimado no dia 20/4/1997 em Brasília (foto: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press)
 

A morte do índio Galdino Jesus dos Santos completa nesta sexta-feira (20/4) 15 anos. O crime bárbaro que chocou Brasília e todo o país ocorreu em uma parada de ônibus da W3 Sul, um dia após a comemoração do dia do Índio. O cidadão foi queimado vivo por jovens de classe média. Apesar da repercussão do crime, ainda hoje, atos de crueldade semelhantes ao que matou Galdino continuam acontecendo na capital. Condenados a 14 anos de prisão, os vândalos acusados pela morte do indígena cumpriram apenas oito anos, durante os quais tiveram acesso a várias regalias.

Galdino havia chegado na capital no dia 18 de abril de 1997 para debater com autoridades do poder público sobre a situação da terra do seu povo, a área de Caramuru/Paraguassu, localizada no sul da Bahia. No dia seguinte, ele participou de um evento organizado pela Funai para comemorar o Dia do Índio. Na volta para a pensão onde estava hospedado, Galdino se perdeu e acabou dormindo em um ponto de ônibus na Asa Sul.

Por volta das 5h, quatro jovens e um menor que passavam pelo local resolveram atear fogo contra o índio, alegando que queriam apenas brincar pois imaginavam que ele seria um mendigo. Galdino teve 95% do corpo queimado e morreu logo após chegar ao hospital.

 

Quinze anos depois

A agressão ao índio baiano foi pensada e preparada assim como a ação contra dois moradores de rua de Santa Maria, no começo de 2012. Dois moradores de rua, José Edson Miclos de Freitas, 26 anos, e Paulo Cezar Maia, 42, tiveram 60% dos corpos queimados por um grupo de adolescentes e homens na noite do dia 25 de fevereiro, em Santa Maria. O ato aconteceu na QR 118, no conjunto H, em via pública, próximo a uma padaria da região.

Os homens tiveram queimaduras de 3º grau e foram levados para o Hospital Regional da Asa Norte. José Edson faleceu um dia após dar entrada na unidade. Paulo Cezar recebeu alta após 20 dias de internação e foi morar com a irmã.

Quatro suspeitos de atearem fogo contra os moradores de rua foram presos, inclusive um proprietário de um bar que teria encomendado o crime por R$ 100 para espantar os mendigos do local.

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