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Estado de Minas

Antes das suspeitas, projeto de Brunelli abriu caminho para irregularidades

Antes de ser alvo de suspeitas, Júnior Brunelli conseguiu aprovar projeto, de sua autoria, que transforma a associação ligada à família dele de utilidade pública. A medida abre caminho para o recebimento de recursos públicos sem burocracia


postado em 29/05/2012 06:59 / atualizado em 29/05/2012 07:08

Desde as 13h de domingo, o ex-distrital Júnior Brunelli está preso na 5ª Delegacia de Polícia (área central) suspeito de comandar um esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares que deveriam subsidiar programas sociais para idosos. Brunelli é acusado em inquérito da Polícia Civil de lavagem de dinheiro, peculato, uso de documento falso e formação de quadrilha.

 

Os crimes teriam ocorrido em 2009, quando ele estava em seu segundo mandato de distrital. Mas foi na primeira legislatura, entre 2003 e 2006, que o então parlamentar preparou as condições para tirar proveito pessoal de sua condição política. Em 2005, Brunelli conseguiu a ajuda dos colegas da Câmara Legislativa para tornar de utilidade pública a entidade que mais tarde funcionaria como o canal dos roubos praticados pela quadrilha desbaratada na Operação Hofini.

Em seu artigo primeiro, o Projeto de Lei nº 2.040 deu à Associação de Assistência Social Monte das Oliveiras (AMO) um status especial ao tornar a entidade dirigida por familiares de Brunelli de utilidade pública. O título é como um cartão de visitas para a negociação de patrocínio, de contratos com dispensa de licitação e de recursos governamentais, distribuído muitas vezes sob a forma das emendas parlamentares de iniciativa dos próprios deputados.

 

Para conseguir o atestado, o autor do projeto na época — o próprio Brunelli — justificou que a AMO era uma “instituição civil de direito privado com caracteres filantrópicos, culturais e educacionais que não visa lucros na aplicação de seus serviços”.

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