Cidades

Número de assassinatos praticados por menores é 64% maior que em 2011

postado em 14/12/2012 06:20

José Alexandre perdeu o filho Jean aos 17 anos: morto em decorrência do envolvimento com uma garota

Aos 12 anos, a principal diversão de *João era manusear o revólver calibre .38 emprestado por amigos. Morador de São Sebastião, o garoto, hoje com 15, entrou cedo para uma gangue da cidade. Aprendeu a roubar e a usar drogas. Também passou a alimentar o ódio por outros jovens, simplesmente por eles morarem em bairros diferentes. No último 4 de agosto, João tornou-se um assassino. Com um tiro na cabeça, matou o desafeto Paulo Henrique da Silva, que estava às vésperas de completar 18 anos. O caso ilustra uma realidade cada vez mais preocupante no Distrito Federal. Pelas mãos de adolescentes, 339 pessoas perderam a vida na capital nos primeiros 11 meses de 2012, número 64% maior do que o registrado no ano passado inteiro. As estatísticas são da Promotoria de Defesa da Infância e Juventude do DF. Do total de mortes este ano, 308 foram cadastradas como homicídios, contra 180 em 2011, alta de 71%.



A grande maioria das vítimas de adolescentes também tem menos de 18 anos. Disputa por pontos de tráfico de drogas, territorial e até por causa de namoradas estão por trás dos conflitos. Cientes dos benefícios concedidos por adolescentes, adultos passaram a recrutá-los para empunhar armas durante confrontos. Foi assim com o estudante Jean Pereira dos Santos, 17. Segundo o pai, o vigilante José Alexandre Pereira, 59, o rapaz se apaixonou por uma garota. O antigo companheiro da menina não aceitava o fim do relacionamento e passou a considerar Jean um rival. Movido pelo ciúme doentio, o acusado, de 19 anos, contratou os serviços de um adolescente no Novo Gama (GO). No último 29 de agosto, na Quadra 203 de Santa Maria, o menor infrator de 15 anos, por R$100 e algumas pedras de crack, executou Jean com quatro tiros nas costas. O rapaz morreu na hora. "Meu filho morreu de forma tão covarde e por um motivo tão banal que, às vezes, eu penso até que tudo não passa de um pesadelo."

Confira a reportagem da TV Brasília

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