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Correio Braziliense

Feira de adoção busca novos donos para animais vítimas de maus tratos

O Abrigo Flora e Fauna promove a feira semanalmente. No primeiro sábado do mês, o foco são cães e gatos abandonados


postado em 02/02/2013 17:31

A campanha de doação mobiliza a 107 Sul(foto: Viola Júnior/Esp. CB/D.A Press)
A campanha de doação mobiliza a 107 Sul (foto: Viola Júnior/Esp. CB/D.A Press)


Espuletas, alguns filhotes arriscam pulos e fazem gracinhas para ganhar um colo e, quem sabe, um dono. Já os mais quietos se enrolam em panos e cochilam mesmo em meio a um burburinho de crianças pedindo para os pais adotá-los. Em comum, esses cachorros e gatos que sofreram maus tratos ou foram abandonados, buscam um lar. A maioria foi acolhida e resgatada por Orcilene Arruda de Carvalho, que fundou, há oito anos, o Abrigo Flora e Fauna e dedica a vida aos cuidados desses bichos.

Todo primeiro sábado do mês, Orcilene traz em sua kombi, lá do abrigo – uma chácara no Novo Gama –, os cachorros e gatos para adoção. A feira é montada, há cerca de três anos, ao lado do Pet Shop Di Petti, na entrequadra da 108 Sul. Com a ajuda de voluntários, como a da socióloga Beatriz Lobo, 51, conseguem que alguns ganhem um novo lar. É lá também que elas recebem doações de rações, remédios e jornais.

Alguns são vítimas de violência. “Já peguei uma cadela amarrada a uma árvore com os filhotes sem água e sem comida”, lamenta Orcilene. “Acho que o mais importante, ao levar um animal de estimação para casa, é ter responsabilidade, não abandonar e dar a assistência necessária”, avalia Orcilene, que tem, no abrigo, cerca de 200 gatos e 250 cães que consomem 1 tonelada de ração por mês. “Eu fico impressionada com a capacidade do homem de fazer o mal e abandonar um cachorro amarrado para morrer. Não consigo conceber isso”, conta a voluntária Beatriz.

Este foi o primeiro sábado que a feira só colocou para adoção os animais do abrigo. “Tem que ter um dia só para eles porque, se não, levam os outros cachorros. Esses ficam e voltam para o abrigo”, comenta. Os pequeninos chamam a atenção de passantes, crianças e de protetores de animais que, por conta própria, vão ao pet shop, compram remédio e cuidam de filhotes.

É o caso da jovem antropóloga Raquel Lima, 25. Ao passar pela feira, notou que um dos cachorrinhos estava com carrapato. Comprou remédio e tratou o do bicho. “Sempre venho nessa feira e ajudo. Trago ração, levo remédio e ajudo a divulgar”, conta. “Faço isso porque vi o trabalho dessas ONGs e o aperto que elas passam. Hoje, não cogito possibilidade de comprar cachorro sabendo que posso adotar”, completa.

A proprietária do Pet Shop Di Petti também se aliou à causa e vende a ração a preço de custo para quem for doá-la. Também dá descontos nos utensílios como potes e coleiras para as pessoas que adotaram os animais na feira. “Acho que as pessoas estão começando a mudar o conceito de só querer um animal de estimação de raça. O amor está falando mais alto”, observa. “Adotar é uma ato de amor e de responsabilidade”, acrescenta.

Novo lar
O casal de Porto Alegre, Bruno Rodrigues, 24 e Brunna Penna, 20, se encantaram com um dos filhotes de cachorro e decidiram levá-lo. “A gente viu no Facebook o trabalho deles e ficamos abismados com o tanto que eles cuidam e ajudam e decidimos adotar em vez de comprar”, explica Brunna. “É bom porque estamos ajudando”, avalia o marido Bruno.

Diana, indecisa:
Diana, indecisa: "São todos lindos" (foto: Viola Júnior/Esp. CB/D.A Press)
A estudante de direito Diana Stephanie, 24, também estava determinada a só sair de lá com um novo companheiro. “Quero adotar porque vejo o tanto que sofrem e que são largados por aí. Melhor vir aqui porque pelo menos ajudo, mas são todos lindos”, diz ela, indecisa.

Para adotar o cachorro ou gato, os novos donos devem ter comprovante de residência e RG. Além disso, preenchem um contrato. O abrigo, caso os donos não tenham dinheiro suficiente, banca a castração. A recomendação é que, logo após a adoção, os novos “pais” façam um check up do bichinho e dêem as vacinas indicadas pelo veterinário.

Uma das maiores campanhas do abrigo nas redes sociais atualmente é pela adoção de um cachorro que foi baleado e está hoje em uma cadeira de rodas. “Ele é muito fofo, mas espera por um lar desde o ano passado”, conta a voluntária Beatriz.

Serviço
A feira de adoção ocorre todos os sábados, das 11h às 16h, na entrequadra da 108 Sul, ao lado do pet shop Di Petti. No primeiro sábado de todo mês, no entanto, a feira fica restrita apenas aos animais do Abrigo Flora e Fauna.

Doações
Os interessados em ajudar podem doar ração, jornais e remédios ao abrigo
É possível entrar em contato por telefone (9842-5461), e-mail ou site


Citérios para adoção
*Ter mais de 18 anos de idade e independência financeira;
*Portar documento de identidade com foto e comprovante de residência;
*Caso more com pais ou responsáveis, deve trazê-los ao local da feira para que estejam cientes da adoção;
* Será feita uma entrevista, e será entregue o Termo de Adoção Responsável p/ o preenchimento dos dados e assinatura do adotante.

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