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Correio Braziliense

UNB sinaliza próximo vestibular com critérios menos rigorosos este ano

O edital do exame sairá esta semana e deverá trazer as novidades aprovadas pela instituição


postado em 02/04/2013 06:05 / atualizado em 02/04/2013 06:16

Calouros de agronomia participaram do trote conhecido como elefantinho, brincadeira em que os alunos precisam andar de mãos por entre as pernas(foto: Viola Júnior/Esp. CB/D.A Press)
Calouros de agronomia participaram do trote conhecido como elefantinho, brincadeira em que os alunos precisam andar de mãos por entre as pernas (foto: Viola Júnior/Esp. CB/D.A Press)

O ano letivo na Universidade de Brasília (UnB) teve início, ontem, para mais de 40 mil estudantes de graduação e pós-graduação. Mudanças na última edição do vestibular e do Programa de Avaliação Seriada (PAS), contudo, concorreram para um grande número de vagas ociosas este ano. Na última edição do PAS, por exemplo, a primeira com cotas sociais, apenas 100 das 305 vagas dessa modalidade foram preenchidas. No total de 2.092 oportunidades, foram aprovados 1.417 alunos, ou seja, 675 vagas — inclusive do sistema universal —, deixaram de ser ocupadas. Diante disso, a instituição estuda mudanças no próximo edital do vestibular, previsto para ser divulgado até o fim desta semana pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe).

Segundo o decano de Ensino de Graduação da UnB, Mauro Luiz Rabelo, o incremento no número de alunos vindos de escolas públicas foi pouco expressivo. “Não houve aumento significativo em função do ponto de corte, mas já fizemos uma revisão nisso. As mudanças serão implementadas no próximo edital do vestibular, que deve sair de hoje para amanhã”, adiantou. Ele se referia às exigências incorporadas aos últimos exames. Na prática, para não ser eliminado, o candidato precisava obter 20% de aproveitamento, chamado de escore bruto; 20% nas questões discursivas (tipo D); e mais 40% nas redações nas três etapas. Antes, não havia nota mínima para as questões tipo D e a redação exigia 10% a menos do concorrente.

Exigências
O professor de língua portuguesa do Galois Rafael Riemma acredita que o problema não seja a nota de corte, mas sim os critérios de eliminação. “Afinal, a nota de corte depende de cada vestibular”, justificou. “Talvez a questão sejam as exigências. Elas podem estar muito acima do nível compatível ao aluno de escola pública”, analisou. Riemma esclareceu, todavia, que as alterações não afetaram apenas estudantes de escolas públicas. Ele não concorda com as mudanças sinalizadas pela UnB. Na opinião do docente, as alterações devem ser mantidas. “Acho, inclusive que a redação deveria ter um peso maior. Nesse sentido, a UnB deixa a desejar”, acredita. O professor acrescentou ser favorável à melhoria do ensino nas escolas públicas e não à facilitação do acesso.

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