Cidades

Documentarista canadense registra a relação de três moradores com a capital

As filmagens resultarão no longa-metragem Brasília: A vida depois do design. Um dos pontos altos seria uma entrevista com Niemeyer, mas o arquiteto, já doente, só pôde responder a cinco perguntas

postado em 05/05/2013 08:30
As filmagens resultarão no longa-metragem Brasília: A vida depois do design. Um dos pontos altos seria uma entrevista com Niemeyer, mas o arquiteto, já doente, só pôde responder a cinco perguntas

Como um garoto curioso que tenta capturar insetos, o canadense de Vancouver Bart Simpson, de 43 anos, filma um documentário sobre Brasília. Ele grava cenas na cidade, registrando a interação entre as pessoas e a arquitetura. Arranhando o português lá e cá, está no Distrito Federal há três meses, acompanhando três personagens que mostram a relação construída com Brasília. Para ele, as pessoas daqui fazem parte do design urbano.

Bart se diverte na cidade, principalmente com o espanto dos moradores em saber que ele é um canadense interessado na cidade. ;Não tem muitos turistas aqui, e isso é um aspecto de que gosto. Todo mundo coça a cabeça quando eu apareço;, conta. Ele conheceu a capital em 2004, quando veio lançar o filme A corporação (veja Filmografia). O canadense teve contato com outras cidades do Brasil, como Rio de Janeiro, São Paulo e Cidade de Goiás, mas, segundo ele, há algo na capital federal que sempre o chama de volta.


Quando o cineasta sentiu vontade de dirigir um filme, não pensou duas vezes: veio para Brasília com objetivo de mostrar a arquitetura. A primeira ideia era fazer algo baseado em entrevistas e, a mais importante delas, seria com o autor dos traços da cidade. Em 2010, quando finalmente conseguiu marcar uma conversa com Oscar Niemeyer, o arquiteto ficou doente. Depois de algumas negociações, ele finalmente conseguiu um tempo cedido pela família. O problema é que o diretor havia se preparado para horas de bate-papo e só lhe foram concedidas cinco perguntas. ;A família dele foi muito gentil, mas foi provavelmente a pior entrevista que eu fiz na vida. Nós ficamos muito felizes com o tempo que ele nos cedeu, mas isso me forçou a repensar o filme;, lembra.

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