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Estado de Minas

Operação Liberdade investiga denúncias de trabalho escravo no DF

Pelo menos 80 bengaleses vivem em situação ilegal e precária em Samambaia


postado em 16/05/2013 07:12 / atualizado em 16/05/2013 14:58

Muitos dos bengaleses estão desempregados e dependem financeiramente dos aliciadores: para a PF, condições análogas ao trabalho escravo(foto: Monique Renne/CB/D.A Press)
Muitos dos bengaleses estão desempregados e dependem financeiramente dos aliciadores: para a PF, condições análogas ao trabalho escravo (foto: Monique Renne/CB/D.A Press)


Pelo menos 80 bengaleses vivem em situação ilegal e precária em Samambaia. Investigação de um ano da Polícia Federal indica que os estrangeiros foram trazidos para o Brasil, por conterrâneos, com a promessa de conseguirem empregos e salários altos. Para saírem de Bangladesh, na Ásia, e desembarcarem na capital federal, desembolsaram até US$ 12 mil cada um. Eram recebidos por aliciadores, que estariam pagando o aluguel da casa em que eles moram. Ontem, durante a Operação Liberdade, agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão e vão investigar um possível esquema de tráfico internacional de pessoas e até de trabalho escravo.

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Os estrangeiros chegam ao Brasil pela Guiana Inglesa, pelo Peru e pela Bolívia, com o sonho de conquistar empregos com salários de até US$ 1,5 mil, como lhes era prometido. A realidade, porém, é bem diferente. Amontoados em casas de poucos cômodos, muitos deles, que esperavam trabalhar na construção civil ou em frigoríficos, estão desempregados. Não têm dinheiro nem sequer para ajudar nas despesas do aluguel. Com isso, ficam dependentes financeiramente dos chamados “coiotes” e não conseguem voltar ao país de origem. Mesmo assim, não querem retornar a Bangladesh. Ontem, durante a ação da Polícia Federal, os imigrantes recusaram a assistência oferecida pelos policiais.

Muitos deles vivem como refugiados, inclusive os quatro aliciadores, de acordo com a polícia. Para a PF, as condições a que os bengaleses são submetidos podem ser consideradas análogas ao trabalho escravo. “Eles vêm com a promessa de receberem altos salários, pagam valores altos para viajarem e, aqui, por questões culturais e até de idioma, não conseguem empregos. Ficam dependendo dos coiotes e moram em casas pequenas com muitos deles”, detalha o delegado Dennis Cali, do Serviço de Repressão ao Trabalho Forçado da PF.

 

 

Veja a reportagem da TV Brasília

 

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