Jornal Correio Braziliense

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GDF classifica como 'irrepreensível' e 'equilibrado' o trabalho da PM

Com mais de 10 mil pessoas ocupando a Esplanada, a cúpula da Segurança Pública agiu para evitar invasão dentro do Congresso. A avaliação é de que a ação foi "irrepreensível" e que o movimento faz parte do processo democrático



Integrantes do Governo do Distrito Federal viveram momentos de tensão desde o fim da tarde até a madrugada de ontem com o receio de que a manifestação em frente ao Congresso Nacional ganhasse contornos mais graves. O risco era de uma invasão nos corredores da Câmara dos Deputados e do Senado, com possibilidade de um saldo de feridos e de descontrole total. No início da madrugada, o protesto havia terminado e os manifestantes se dispersavam em direção à Rodoviária do Plano Piloto. Policiais militares permaneceriam na Praça dos Três Poderes de prontidão para evitar a ocupação dentro do Congresso.

Numa irreverência típica de protestos, manifestantes provocaram policiais. Houve relatos de uso de extintores de incêndio contra a PM, muitos xingamentos e provocações. O momento mais dramático ocorreu quando parte dos 10 mil manifestantes furaram a barreira da Polícia Militar e se dirigiu à chapelaria do Congresso, a entrada para a escadaria das duas casas parlamentares. Um confronto em frente às paredes de vidro poderia resultar em ferimentos graves, além do constrangimento da ocupação no prédio que é símbolo dos políticos na capital do país. Toda ameaça de invasão era respondida com gás lacrimogênio.

O governador Agnelo Queiroz (PT) e o secretário de Segurança, Sandro Avelar, acompanharam toda a movimentação. O vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), no exercício da presidência, esteve no início da noite com Agnelo, acompanhado do líder do PT, José Guimarães (CE). Eles pediram reforço policial para evitar a invasão. Relataram o receio de servidores da Câmara. Para que a PM entrasse no Congresso era necessário um pedido formal da presidência de uma das Casas. André Vargas deu o ok para a ação policial, caso houvesse necessidade. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no entanto, não deu autorização para a interferência policial. Numa eventual invasão, haveria uma situação esdrúxula. Os policiais poderiam agir apenas nos tapetes verdes do Congresso. Na confusão, uma vidraça acabou quebrada.


Para o deputado André Vargas, a PM agiu para ;preservar a vida; e elogiou o trabalho de segurança do Governo do DF, embora considere que o contingente foi insuficiente no começo. Ele avalia que a manifestação representa uma ;insatisfação generalizada;.

Sandro Avelar qualificou como ;irrepreensível; e ;equilibrado; o trabalho da PM durante o protesto em frente ao Congresso. ;Houve um respeito mútuo;, disse, referindo-se à postura dos manifestantes. A avaliação do secretário é de que o movimento foi apartidário e representa uma mobilização nacional, estimulado pelas redes sociais. ;Foi muito importante a postura dos policiais que, durante todo o tempo, mantiveram a calma;, disse. A ação de ontem não tem relação com o episódio da última sexta-feira, quando pneus foram queimados em frente ao Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha (leia reportagem ao lado).