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Estado de Minas

Seca coincide com a floração dos ipês, exuberantes em todo o DF no inverno

Tudo começa com o roxo e segue em progressão colorida, passando pelo amarelo, pelo rosa e pelo branco


postado em 23/07/2013 06:05 / atualizado em 23/07/2013 09:15

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Esplanada dos Ministérios: nova coloração no centro do poder(foto: Monique Renne/CB/D.A Press )
Esplanada dos Ministérios: nova coloração no centro do poder (foto: Monique Renne/CB/D.A Press )


O tempo árido e empoeirado é a moldura que acolhe os ipês em flor. Com a queda da umidade relativa do ar, copas amarelas, rosas, roxas e brancas tomam a paisagem e fazem refletir aqueles que encaram a seca apenas como tempo cinzento de queimadas e vegetação marrom. As cores vibrantes da família tabebuia, composta pelas variedades da planta, irrompem de junho a setembro. O primeiro a se apresentar é o ipê-roxo, o tabebuia avallaneda, cujos buquês já enfeitam o Distrito Federal desde a semana passada. Eles podem ser vistos nos gramados ao longo do Eixo Monumental, na Torre de TV e nos Eixinhos Norte e Sul, já salpicados destas pinturas exuberantes.

É toda essa beleza que a aposentada Mirna Paiva de Carvalho, de 74 anos, quer transmitir por meio de seus pincéis. Ela pinta há 13 anos e os temas preferidos são os elementos da natureza. Na manhã de ontem, Mirna observava o conjunto das árvores coloridas na 113 Sul para entender todos os detalhes. “Eu já pintei o amarelo e agora, quero fazer o roxo, acho lindo!”, vibrou a artista.

Com o celular em punho, Mirna clicava com atenção. “Eu tiro fotos para saber como devo pintar depois. Quero ser fiel a todas as características”, disse. Para a missão, ela contou com a ajuda do marido, o aposentado Basílio Leite de Carvalho, de 75 anos. Enquanto Mirna fotografava de um ângulo, ele caminhava até o canteiro entre o Eixo W e o Eixão Sul para garantir outros registros. “Vim para acompanhá-la. Eu também tiro otos para que ela tenha várias opções na hora de fazer os quadros”, explicou.

A veia artística da aposentada Maria das Graças Souza Sales, de 57 anos, também foi estimulada pelos cachos róseos. Ela registrou, por meio do aparelho móvel, o espetáculo que, pelo menos, sete ipês proporcionavam a quem cruzava a passarela subterrânea no fim da Asa Sul. “Ver uma coisa dessas alegra o nosso dia. Decidi guardar a lembrança”, explicou. Ela destaca ainda a necessidade de preservá-los. “É muito bonito, mas pode acabar, né? Se as pessoas não cuidarem, em pouco tempo isso tudo não vai mais existir”, defendeu.

Interessada nas propriedades do ipê-roxo, a catarinense Clarineide Góes de Oliveira, de 74 anos, guardou uma pequena amostra da flor para levar de volta. “Lá em casa, tenho um livro que conta tudo sobre o ipê. Quero saber como posso aproveitá-lo, se para remédio ou ornamentação mesmo”, disse.

Sementes ao vento
As floradas costumam durar uma semana, em média, e variam conforme a pouca concentração de água na atmosfera. No caso do amarelo, ele pode se estender por até 10 dias e tem duas edições: uma após a do roxo, aproximadamente em julho, e outra em setembro, quando se anuncia a chegada da temporada de chuva.

O fato de ter havido precipitação neste mês — situação pouco comum para a época — pode ter afetado o ciclo dos ipês, de acordo com a professora do curso de engenharia florestal da Universidade de Brasília (UnB) Carmen Regina Correia. “Esse ano, tem chovido até agora, o que muda um pouco o ciclo deles. Talvez pudéssemos tê-los mais floridos se não estivesse chovendo”, afirmou.

A floração é, de acordo com a professora Carmen, uma estratégia de reprodução das plantas. “Os ipês aproveitam o vento para propagar as sementes. Elas possuem uma película, que as permite flutuar. Quando as condições ambientais oferecem essa oportunidade, os cachos florescem”, continuou. No caso do branco, por exemplo, ela explica que o curto de período de floração pode ter a ver com a alta frequência de polinização. “As flores caem mais rapidamente. Uma hipótese é de que sejam muito polinizadas e consigam frutificar rapidamente”, explicou.

» No cerrado
Cientificamente chamado de tabebuia avellaneda, o ipê-roxo tem altura entre 8m e 12m e o caule pode ter até 90cm de diâmetro. A ocorrência da espécie nativa do cerrado é principalmente em regiões com inverno seco e temperaturas entre 18°C e 26 °C, como Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Goiás. É uma árvore de ornamentação e serve de alimento para insetos apícolas, aves e macacos.

» Natureza em festa
Junho e julho: ipê-roxo
Julho e agosto: ipê-amarelo
Fim de agosto: ipê-rosa
Setembro: ipê-branco e ipê amarelo

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