Cidades

Mulheres abandonam as drogas para darem à luz longe das ruas

Apesar do uso contínuo de cocaína, merla e crack, Diane não teve complicações na primeira gravidez

postado em 26/11/2013 06:40
No município goiano de Padre Bernardo, um casa oferece apoio a 10 mulheres que tentam se livrar do vício

No dia em que foi presa, Diane* lembrou do choro do filho pedindo para que ela não fosse até a rua usar drogas. Aos 7 anos, o menino tentou impedir por várias vezes que a mãe ficasse como zumbi andando pelo Riacho Fundo. As inúmeras tentativas da criança, no entanto, foram em vão. Até duas semanas atrás, com a barriga crescida da segunda gravidez, a mulher fumava crack todos os dias. A decisão de deixar a rua, porém, foi tomada há 10 dias. Agora, em uma casa de recuperação, ela quer levar a gestação longe de qualquer substância que possa prejudicar o próximo herdeiro.

Aos 31 anos, Diane é uma das 18 mulheres que recebem ajuda na Casa de Recuperação Mulheres de Deus, em Ceilândia Sul. Ela tem poucas recordações dos momentos em que esteve ao lado do filho mais velho, hoje sob a guarda dos avós paternos. A boca queimada e os olhos amarelados revelam 14 anos de uso de drogas, sendo os seis últimos dedicados ao crack. No fundo do poço, Diane ameaçou familiares, vendeu pedra, conheceu pontos de tráfico e usou dinheiro da pensão do filho para fumar o máximo de vezes por dia. ;Cheguei em um ponto que o crack não estava mais fazendo efeito, então usava o dia todo. Olho para minha mãe, para o meu filho, e me arrependo de ter feito eles passarem tanta vergonha;, conta.

Apesar do uso contínuo de cocaína, merla e crack, Diane não teve complicações na primeira gravidez. O menino nasceu saudável. Mas, no começo do ano, o uso de entorpecentes provocou um aborto nela. Engravidou novamente. Agora, com a barriga acentuada e a certeza de esperar mais um menino, não quer prejudicar ou envergonhar os familiares. ;Vi o meu filho pela última vez em janeiro. Estou me tratando e quero estar bem para cuidar dos dois. Eles precisam ter a mãe saudável, responsável, aquela que o meu filho mais velho não teve;, diz. ;Por muitas vezes, a minha mãe e o meu filho correram atrás de mim pedindo para eu não ir para a rua. Fui presa e ouvi o meu filho chorando, me segurando para não ir para a rua;, complementa.

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