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Estado de Minas

Preso morto em cadeia tinha transtorno mental e dividia cela com homicida

Condenado cumpria pena desde abril de 2013 no presídio de Santo Antônio do Descoberto. No último domingo, companheiro de cela teria ficado irritado com os gritos dados por ele enquanto dormia e o matou por espancamento


postado em 28/01/2014 06:00 / atualizado em 28/01/2014 06:24

Um homem morreu em uma cela da Unidade Prisional de Santo Antônio do Descoberto (GO). A principal suspeita da polícia é de que ele tenha sido assassinado por outro preso no domingo. Condenado por estupro de vulnerável, Juciel Reis Alves, 27 anos, sofria de transtornos mentais. Ele cumpria pena desde abril de 2013 e dividia o espaço com um homicida, um estuprador e um ladrão. Enquanto dormia, tinha surtos e gritava alto. Isso irritou o companheiro condenado por assassinato, que o agrediu até a morte, segundo depoimentos colhidos no Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops) local.

Policiais preparam-se para retirar o corpo de Juciel da prisão: condenado sofria de transtornos mentais(foto: Ed Alves/CB/DA Press)
Policiais preparam-se para retirar o corpo de Juciel da prisão: condenado sofria de transtornos mentais (foto: Ed Alves/CB/DA Press)


A suspeita é que Thiago Bernardo Nunes tenha chutado Juciel e, quando ele caiu no chão, começou a bater da cabeça a vítima contra a parede. No momento do crime, não havia nenhum servidor efetivo da unidade. Estavam no local três agentes penitenciários contratados. Eles eram os responsáveis por conter uma massa de 95 presos da cadeia. Em caso de rebelião, seria um agente para cada 31 detentos.

A morte dentro da cela ocorreu um dia antes de o Correio iniciar uma série de reportagens sobre a situação de calamidade vivida nos presídios das cidades próximas a Brasília. A unidade prisional de Santo Antônio do Descoberto segue a tendência das outras citadas nas matérias e tem um número de presos além da conta. Hoje, a cadeia possui uma lotação de 258 pessoas: 163 no semiaberto e 95 no regime fechado. Entre essas, 49 estão condenadas e 46 são provisórias. A capacidade de atendimento é de 72 vagas.

O Ministério Público de Goiás (MPGO) e a Secretaria da Administração Penitenciária e Justiça de Goiás (SAPeJUS) vão investigar o caso. Por meio de nota, a pasta lamentou o fato e disse esperar o resultado dos exames periciais para saber a causa da morte. Como Juciel sofria de problemas de saúde e tomava remédios controlados, o governo não descarta a possibilidade de morte natural. “Aguardamos laudo da polícia técnico-científica. Quanto ao número de agentes, temos autorização do governo para contratar 357 temporários e 453 efetivos, será um bom incremento para o setor”, afirmou o superintendente de Segurnça Penitenciária, João Carvalho Coutinho Júnior.

Investigação
O delegado-chefe do Ciops, Felipe Socha, ouviu os três presos e os agentes carcerários. “Os dois detentos apontaram Thiago como autor do crime. Eles não reagiram porque afirmaram também serem ameaçados pelo homem”, afirmou. Desde 2008 até ontem, 19 pessoas morreram nos presídios do Entorno. Os motivos são: criminal, natural, suicídio e acidental.

Os quatro presos estavam em cela especial, na Ala A. Por não terem convívio com os outros presos, eram ameaçados de morte ou tinham rixas com outros detentos. A natureza das acusações pelas quais foram presos não permite que eles estejam na mesma cela. Pessoas que cometem crimes sexuais não podem dividir o mesmo espaço que homicidas, por exemplo, garante o titular da 4ª Promotoria de Justiça Criminal da comarca de Santo Antônio do Descoberto (GO), André Wagner Melgaço Reis.

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