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Estado de Minas

Apesar do alto risco de acidentes, tem motorista que tira selfie ao volante

Além de falarem ao celular e trocarem mensagens, é comum os condutores, principalmente os jovens, tirarem autorretratos enquanto dirigem. A cada foto, o condutor fica desatento por 14 segundos, tempo suficiente para uma tragédia acontecer


postado em 12/11/2014 07:00 / atualizado em 12/11/2014 13:54

A selfie de Roberto, feita de dentro do carro em movimento, impressiona. A imagem mostra o servidor público de 52 anos ao telefone enquanto dirige e faz um autorretrato. Tudo ao mesmo tempo. Dono de três aparelhos, ele conta que frequentemente “dirige com o joelho” enquanto manuseia simultaneamente todos os celulares. Como? “Um ligado no bluetooth e os outros dois, um em cada mão”, responde. Se o hábito parece absurdo para alguns, estudos mostram que é mais frequente do que se imagina. Uma pesquisa com 7 mil jovens europeus revela que um em cada quatro fazem autorretratos enquanto dirigem. E metade dos entrevistados admite ter feito selfie ao volante, com o carro parado no semáforo, por exemplo.

A pesquisa foi patrocinada pela montadora Ford. Os responsáveis pelo estudo mediram o tempo de desatenção do condutor durante a selfie: 14 segundos. Acessar as mídias sociais leva 20 segundos. É tempo suficiente para o carro a 100 km/h se deslocar por uma área equivalente a cinco campos de futebol. Completamente às cegas. Participaram da pesquisa jovens da Alemanha, da França, da Romênia, da Itália e da Espanha.

O professor de medicina legal da Universidade de Brasília Malthus Galvão considera o uso exacerbado de celular uma “embriaguez cibernética”. “A pessoa fica tão entretida dentro desse mundo virtual que isso acaba prejudicando seu tempo efetivo de resposta para reações no trânsito”, explica. E nem é necessária uma longa distração para que um grave acidente aconteça. “Em velocidade comum, poucos segundos são suficientes para gerar grandes danos”, diz. Um veículo a 80km/h percorre uma distância de 111 metros em cinco segundos. “Pode ser fatal”, finaliza.

Acidente em 27 de outubro matou a motorista, Andreia Lima: família alerta para riscos do celular(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press - 27/10/14)
Acidente em 27 de outubro matou a motorista, Andreia Lima: família alerta para riscos do celular (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press - 27/10/14)


Órfãos

Difícil é convencer quem nunca viveu uma tragédia por causa do uso do celular sobre os perigos do hábito. Mas as tragédias acontecem. A família da psicóloga Andreia Matos Lima, 33 anos, vai demorar algum tempo para aceitar a morte dela em um acidente de trânsito ocorrido em 27 de outubro. A jovem perdeu o controle do veículo e bateu em duas árvores. Ela deixou dois filhos órfãos: uma menina de 5 anos e um bebê de 3 meses. Segundo o tio de Andréia, o pastor da Igreja Batista Central Ricardo Espíndola, ela trocava mensagem via WhatsApp no momento do acidente. “A gente nunca imagina que o risco é tão real. Cansei de usar o WhatsApp. Não vale a pena. Não mudamos o mundo mandando uma mensagem, mas podemos preservar a nossa vida e a vida de outros”, afirma.

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