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Estado de Minas

Mesmo com o vagão exclusivo, mulheres continuam a sofrer abusos no metrô

Trens superlotados se tornam ambientes propícios para abusos e constrangimentos sofridos pelas mulheres


postado em 16/11/2014 08:05 / atualizado em 16/11/2014 09:11

O vagão exclusivo para mulheres na capital federal foi criado há um ano e meio, mas não resolve totalmente o problema, segundo especialistas(foto: Viola Junior/Esp. CB/D.A Press - 1/7/13)
O vagão exclusivo para mulheres na capital federal foi criado há um ano e meio, mas não resolve totalmente o problema, segundo especialistas (foto: Viola Junior/Esp. CB/D.A Press - 1/7/13)


Nos horários de maior movimento, o aperto dentro dos vagões do metrô sintetiza uma disputa que vai além de um lugar confortável. Ali, também se trava uma batalha pelo direito das mulheres de ocuparem espaço sem sofrerem abusos e constrangimentos. Sob os cínicos pretextos de superlotação ou distração, passageiras de todas as idades são invadidas por toques indesejados ou esbarrões mal-intencionados. Não bastasse a agressão, as vítimas ainda são silenciadas pelo medo da incompreensão e pela falta de apoio de quem está logo ao lado, na mesma composição.

Esquivar-se ou procurar outro lugar são as táticas da balconista Maria Luzia dos Santos Cavalcante, 35 anos. “Não grito porque vira barraco dentro do vagão. Já está todo mundo ali apertado e, se eu reclamar, vão falar que eu estou querendo chamar a atenção. Para mim, é mais fácil tentar sair de perto”, conta.

A intimidação que ela descreve — a de ser hostilizada por denunciar o assédio — é o que faz com que o crime ainda seja pouco relatado aos órgãos responsáveis, de acordo com o promotor e coordenador do Núcleo de Gênero Pró-Mulher do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Thiago Pierobom. “Não é comum o MPDFT receber denúncias, muito provavelmente em razão do descrédito por parte das mulheres de que a medida vá surtir efeito”, avalia.

O desamparo à vítima se apoia na sordidez que naturaliza a violência, como se a tal mão boba fosse algo inofensivo. “É um problema cotidiano, uma situação que afeta todas as mulheres”, afirma a pequisadora da ONG SOS Corpo — Instituto Feminista para a Democracia e da Articulação de Mulheres Brasileiras Verônica Ferreira. A gênese do problema é profunda e atinge aquelas de nacionalidades diversas. Por isso, grupos ao redor do mundo organizam campanhas de combate ao assédio no transporte público. “São fruto de uma sociedade machista, sexista e patriarcal, que quer se apropriar do corpo das mulheres, como se fosse um papel que se espera do homem”, continua Verônica.

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