Publicidade

Estado de Minas

Agnelo diz que deixará o governo de cabeça erguida e critica Rollemberg

Em fim de mandato, o atual governador diz que o senador do PSB não vai conseguir fazer tudo o que prometeu durante a campanha


postado em 21/12/2014 08:10 / atualizado em 21/12/2014 09:06

(foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press)

 

Pela primeira vez desde as crises vividas na cidade nas últimas semanas, com manifestações de servidores e terceirizados insatisfeitos pelos salários atrasados, alagamentos e mato alto, o governador Agnelo Queiroz (PT) se pronunciou e fez um balanço dos quatro anos à frente do Palácio do Buriti. Sem sequer mencionar o nome de Rodrigo Rollemberg (PSB) durante duas as horas de entrevista, o petista se mostrou indignado com as declarações da equipe de transição e rebateu os números apresentados pela futura composição do GDF. O petista garantiu que entregará o governo na normalidade e atacou o sucessor.

Leia mais notícias em Cidades

Sentado no sofá da Residência oficial de Águas Claras, ele recebeu a reportagem do Correio na sexta-feira. O clima na mansão era de mudança. Os quadros pessoais de Agnelo começaram a ser retirados das paredes e estão sendo levados para a casa do governador, no Lago Sul. Já na primeira manifestação, Agnelo foi contundente ao falar do sucessor: “Será o maior estelionato eleitoral que a cidade já viu”. Em relação às atitudes de Rollemberg, afirmou que “ele apresenta um viés autoritário e antidemocrático”.

Sobre o novo secretariado, o atual governador criticou a extinção da pasta de Transparência. Médico por formação, desejou um bom trabalho a Ivan Castelli, o próximo secretário de Saúde, colega de residência dos tempos de faculdade e antigo auxiliar como subsecretário na Saúde. Ele acredita que é momento de o próximo chefe do Executivo “calçar a sandália da humildade”, parar de criticar e trabalhar para sanar os problemas dos brasilienses.

Desmentindo com veemência os números da equipe de transição, o petista afirmou que os socialistas têm usado dados “mentirosos para jogar uma cortina de fumaça e não cumprir o prometido na campanha”. Ele garante que vai entregar o DF em uma situação muito melhor do que recebeu, em 2011.

Sem ter conseguido passar para o segundo turno, não guarda ressentimento e nem se sente traído. “Muitos aliados, ideologicamente fracos, se intimidaram pela situação. Alguns acabaram pensando apenas em si mesmos, não no projeto coletivo. Mas tudo faz parte de uma conjuntura.”

Como o senhor avalia todo esse panorama que o governador eleito está mostrando de deficit e as reclamações sobre a sua gestão?
Esse deficit de R$ 3,8 bilhões é uma ficção, uma mentira, uma desonestidade absoluta. Eu o desafio a mostrar onde está esse rombo. Nessa atitude, percebo claramente um objetivo de jogar uma cortina de fumaça por quem sabe que não tem como cumprir as promessas de campanha. Depois, ele vai dizer que pegou esse deficit para justificar as medidas impopulares que pretende tomar. O povo vai ver o maior estelionato eleitoral da história da nossa cidade. Querem, desde já, justificar as medidas de arrocho de amanhã, de não cumprir acordos que prometeu com as categorias profissionais e aumentar impostos, como secretários já anunciam. Praticam um estelionato antes mesmo de tomar posse.

Sobre o secretariado e as primeiras medidas anunciadas por Rollemberg, considera que são positivos?
Ele acabou com a pasta da Transparência, que criamos e é a mais bem equipada do país. A ausência do tema mostra o tom das prioridades do seu governo. Acabar com a pasta é acabar com o enfrentamento ao crime organizado. Por não ter status de secretaria, o chefe dessa futura controladoria-geral não vai poder tratar em igualdade com os outros órgãos. Por ter diminuído a força política do assunto, a população vai sentir um golpe violento na transparência das contas públicas. Ele também diz que irá criar um conselho de transparência. Mas isso nós fizemos.

O senhor esperava arrecadar recursos por meio da lei de criação do Fundo Especial da Dívida Ativa (Fedat), mas o Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios considerou a medida inconstitucional. Atrapalha os seus planos de recuperar o equilíbrio financeiro?

Atrapalha, mas quem mais sai perdendo é a gestão futura. O governador eleito fez de tudo para barrar o projeto, mas ele acabou sendo aprovado na Câmara Legislativa. Temos passado por uma sabotagem permanente. O que considero antiético e mesquinho é ele ter se esforçado ao máximo para barrar o Fedat, que daria mais dinheiro para o DF. O governo só merece respeito se também respeitar os outros.

E como o senhor viu a disputa para aprovar o projeto na Casa?
O governador eleito foi autoritário e antidemocrático. Ligou para todos os distritais, fez ameaças, perguntou aos parlamentes se iam trocar um mês pelos próximos quatro anos. Na última sessão do ano, na quinta-feira última, tentou aprovar um projeto absurdo no apagar das luzes. Obviamente, não conseguiu. A equipe de transição dele faz um estardalhaço em público, mas quando veem nossas realizações se dizem impressionados. Esses dias, visitaram o Centro de Comando e Controle da Segurança Pública e falaram que não tinham ideia do poder de vigilância que conquistamos. O mesmo aconteceu em um escritório de gestão montado por nós. Foram até lá e não se cansaram de elogiar a nossa iniciativa.

A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade