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Estado de Minas

Cineasta que vive em lar de idosos em Brasília é reconhecido pela família

Cineasta, com participação em dezenas de filmes brasileiros nas décadas de 1970 e 1980, foi reconhecido pela família depois de matéria publicada no caderno Super!. Irmãos de Rajá de Aragão querem revê-lo, mas falta dinheiro. Enquanto isso, o senhor lembra das paixões


postado em 27/01/2015 06:02

"A criação vem acima de tudo. Tem que se atirar de peito na história. É um pulo no escuro. Essa é a real aventura" (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)


Nos bastidores de um lar de idosos, um dos atores principais da história do cinema brasileiro se escondia atrás dos rolos de filmes. Ele foi descoberto por um menino de 10 anos, que, depois de uma atividade da escola compartilhada pelo Super!, escreveu a primeira biografia de um senhor chamado Rajá de Aragão, 76 anos (veja fac-símile). Uma rápida pesquisa superficial é o suficiente para revelar um currículo recheado de estrelas. Ao todo, são cerca de três filmes como diretor e 20 como roteirista. Sem contar as vezes em que foi ator, dublê e assistente de direção. Não restam dúvidas: a vida de Rajá de Aragão renderia um filme. O ápice da história seria o reencontro dele com irmãos, após 60 anos sem se ver.

Depois de ler a reportagem publicada no Correio, em dezembro, a família de Ido Oraídes Dias da Costa — nome de batismo de Rajá — reconheceu o parente. De acordo com Ivan Claudio Dias da Costa, 74 anos, um dos irmãos de Ido, foram anos de procura. “A última informação que tive veio quando comprei uma revista no sebo e li uma reportagem com ele. Tentei pegar o contato com o repórter, mas já não tinha mais”, relatou. Agora, com a reportagem em mãos, os irmãos, que moram no interior do Rio Grande do Sul, esperam um novo encontro. “Ele era meu ídolo, uma espécie de chefe. Andava sempre atrás dele. Só de pensar, a emoção já corta a voz”, lembra. Agora, a oportunidade do encontro é real, mas falta o dinheiro para promovê-lo.

Aventuras


Nascido em Rio Pardo, cidade no interior do Rio Grande do Sul, Rajá não guarda mais o sotaque gaúcho e revela relatos de uma vida repleta de aventuras. Ação, inclusive, é um dos estilos cinematográficos preferidos do cineasta. “Também gosto de faroeste. Já tinha trabalhado com cavalos, em uma época que apostava (em corridas dos animais). Então, isso é paixão e profissão. Não gosto de filme vazio”, explica Rajá, sentando próximo a um jardim no Lar Maria Madalena, no Núcleo Bandeirante. Aos 16 anos, ele decidiu colocar uma mochila nas costas e viajar. Conheceu Argentina, Uruguai, Espanha, Portugal. “Lisboa foi o lugar que mais gostei pela língua e pela música”, aponta.

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Em 1970, Rajá encontrou um lar. Ele se instalou na famosa Boca do Lixo, região no centro histórico de São Paulo em que se vivia e respirava o cinema. “Às 17h, todos se reuniam no boteco e trocavam ideias. Brasileiro adora jogar conversa fora”, brinca. Na opinião do escritor, um local como a Boca do Lixo, com todo o clima underground, falta hoje no cinema brasileiro. Foi lá que o cineasta e roteirista conheceu nomes de importância da área, como Amácio Mazzaropi. Um ano depois, ele contou que o diretor de fotografia dos filmes de Mazzaropi o convidou para trabalhar com eles. “Precisavam de um apoio intelectual e, como eu escrevia para um jornal, chamaram-me. Nunca corri atrás de trabalho”, afirma.

Nos relatos de Rajá, pode faltar a voz firme, resultado de um acidente vascular cerebral hemorrágico que teve em 2006 e que paralisou o lado esquerdo. Mas sobra a riqueza de detalhes da época, dos filmes que participou e dos amigos. Transborda também a experiência. Aos novos companheiros de profissão, o escritor faz um alerta. “A criação vem acima de tudo. Tem que se atirar de peito na história. É um pulo no escuro. Essa é a real aventura.”

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