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Estado de Minas

Após 12 anos de reencontro, família de Pedrinho está cada vez mais unida

A história do menino roubado de uma maternidade em Brasília, em 1986, virou um livro-reportagem, a ser lançado nesta quarta-feira (11/3). Escrito por um jornalista do Correio Braziliense, O Caso Pedrinho revela tudo sobre essa novela da vida real


postado em 10/03/2015 11:57 / atualizado em 10/03/2015 16:51

A história de Pedro Rosalino Braule Pinto, o Pedrinho, daria uma novela ou um romance. Levado dos braços da mãe, em janeiro de 1986, da maternidade Santa Lúcia, em Brasília, o adolescente foi localizado 16 anos depois, em Goiânia, vivendo com outra família e com outro nome. Logo depois exame de DNA mostrou que, na mesma casa, também registrada como filha legítima, morava Aparecida Fernanda Ribeiro da Silva, sequestrada havia mais de 23 anos.

Essa trama, virou um livro-reportagem, a ser lançado nesta quarta-feira (12), na Livraria Cultura do shopping Casa Park, em Brasília. Escrito pelo jornalista Renato Alves, do Correio Braziliense e já disponível em mais de 600 livrarias do país, O Caso Pedrinho (da Geração Editorial) revela tudo sobre essa história real que parece ficção.

Mas por onde andam e como vivem os personagens dessa trama? O Correio foi atrás das respostas e descobriu o paradeiro de cada um.

Pai e advogado
Pedrinho, o protagonista do caso mais famoso de um menino roubado em maternidade no Brasil, hoje é um homem feito, o doutor Pedro. Advogado, casado, morador da Asa Norte, pai de um brasiliense de 2 anos, funcionário de um renomado escritório de advocacia, Pedro Júnior Rosalino Braule Pinto, 29 anos, leva a vida de um típico cidadão de classe média da capital do país. Pratica corrida de rua, joga futebol com os amigos no meio da semana, sonha com a estabilidade do serviço público e se vira para dar conta das obrigações de pai de família e de trabalhador.

(foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press - 12/09/2012)
(foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press - 12/09/2012)


Avesso à entrevistas, Pedrinho busca o anonimato. Mas, ainda, é reconhecido por boa parte dos brasiliense. "Ainda hoje, quando vou a um shopping, por exemplo, tem quem me pare, me abrace. Acho que o carinho que eles têm pelos meus pais, pelo que eles passaram. Isso é constrangedor, mas é bom", comenta.

O filho dele veio ao mundo com 3,2kg, 48cm e muito cabelo, em novembro de 2012. João Pedro, que ganhou o nome em homenagem aos avós maternos, nasceu no Hospital Santa Helena, na Asa Norte, em um parto cesariano, fruto da relação de Pedro Júnior com a administradora de empresas Nábyla Gabriela Queiroz Galvão, 27 anos. Eles se casaram em novembro de 2010. Nascida e criada em Santa Maria da Vitória (BA), Nábyla mudou para Brasília, distante quase 600km, aos 12 anos, para estudar. Fã de axé-music, conheceu Pedro aos 15, em uma festa sertaneja, o ritmo preferido dele, criado em Goiânia.

Em liberdade
Pedro mantém vínculos com Goiânia. Costuma viajar de carro pelos 200km do trajeto da BR-060 que liga Brasília à capital goiana para rever os amigos e a família de criação. Visita inclusive Vilma Martins Costa, a mulher condenada por raptá-lo e registrá-lo como se filho legítimo dela fosse. Também considerada culpada pelo sequestro e o registro falso de uma recém-nascida em Goiânia, crime ocorrido em 1979, ela ganhou a liberdade condicional em agosto de 2008, após cumprir 5 dos 19 anos das penas inicialmente imposta pela Justiça.

(foto: Wagnas Cabral/O Popular - 09/11/2002)
(foto: Wagnas Cabral/O Popular - 09/11/2002)


Sem ter confessado em alguma delegacia ou em juízo os crimes atribuídos a ela e com 59 anos, Vilma mora no bairro Itanhangá, em Goiânia, com Roberta Jamilly Martins Borges, a menina levada de uma maternidade da capital goiana há 33 anos. Ela também casou e teve um filho. Mas, diferentemente do irmão de criação, não retomou o nome original, Aparecida Fernanda Ribeiro da Silva, nem o convívio com a família biológica. Sequer visita a mãe verdadeira, Francisca Maria Ribeiro, hoje com 75 anos.

Vilma ganhou a liberdade condicional em 19 de agosto de 2008, após conseguir reduzir a pena e ganhar o benefício do regime semi-aberto. Desde então, não pode deixar Goiânia sem autorização judicial e tem de comunicar a Justiça a mudança de endereço. Também é obrigada a chegar em casa antes das 21h, mas não precisa comprovar trabalho. As normas valem até 16 de fevereiro de 2019, quando expira a pena imposta à ela. Ela e Roberta se recusam a dar entrevista.

Avós corujas

Morando na mesma casa, no Lago Norte, os verdadeiros pais de Pedrinho, Maria Auxiliadora Braule Pinto, a Lia, 61 anos, e Jayro, 62, curtem a tranquilidade da aposentadoria e os quatro netos: João Pedro e três meninas. Elas são da filha Cláudia, 32 anos. Pedro, Nábyla e João Pedro constumam visitar Lia e Jayro todos os fins de semana, especialmente aos domingos, no tradicional almoço de família.

(foto: Ricardo Borba/CB/D.A Press - 25/12/2002)
(foto: Ricardo Borba/CB/D.A Press - 25/12/2002)


Como há 12 anos, Lia se dedica ao artesanato e à família. Já Jayro , após sofrer um enfarto em 2011 — em meio a uma partida de futebol entre amigos, em um clube do Lago Sul —, descobriu o gosto pela escrita. Publicou o primeiro livro, Direito Tributário para Concursos, lançado pela editora Gran Cursos, em 2012. Escreveu outra obra, também voltado a concurseiros, para quem deu aulas por 20 anos. Desde o susto em campo e a cirurgia a que teve de ser submetido, o fiscal aposentado da Receita Federal deixou a paixão pelo futebol de lado. "Agora, só assisto os jogos do Fluminense pela TV. Os livros viraram a minha principal ocupação", ressalta ele.

RELEMBRE O CASO
O sequestro de Pedrinho é o caso mais famoso no Brasil de um bebê levado de maternidade. Tanto que a história virou tema da novela Senhora do Destino, sucesso de Aguinaldo Silva exibido entre 2004 e 2005.

 

 

1986
21 de janeiro
Passando-se por enfermeira, uma mulher entra no quarto onde Maria Auxiliadora Braule Pinto se recupera do parto do filho Pedro. A desconhecida diz que vai levar o bebê para exames e some com ele. O crime ocorre nas dependências do Hospital Santa Lúcia, em Brasília.

2002

(foto: Edilson Rodrigues/CB/D.A Press - 17/05/2003)
(foto: Edilson Rodrigues/CB/D.A Press - 17/05/2003)
20 de agosto
Por meio de e-mail, um anônimo conta a história sobre um garoto nascido em Brasília e adotado por uma família goiana. A Polícia Civil candanga recebe provas apontadas pela pessoa de que se trata de Pedrinho, como fotografias e descrições do garoto. Agentes vão para Goiânia, onde ele mora.

7 de novembro
O Correio torna pública a investigação sobre o adolescente morador de Goiânia. Falta o DNA. O menino só doa material genético para o teste após uma troca de telefonemas com Jayro e a promessa da Polícia Civil que nada acontecerá com a mulher que o criou como filho legítimo, Vilma Martins Costa.

8 de novembro
Sai o resultado do DNA: o menino registrado como Osvaldo Martins Borges é na verdade Pedro Rosalino Braule Pinto. O desfecho do caso vira notícia em todo o país e no exterior. Mas não significa o reencontro imediato do menino com os pais biológicos.

2003
(foto: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press - 13/05/2003)
(foto: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press - 13/05/2003)
12 de fevereiro
A polícia goiana confirma, também por meio de DNA, que outro bebê levado de uma maternidade em Goiânia, 24 anos antes, havia sido criado por Vilma como filho verdadeiro dela. A menina que a ex-empresária registrou como Roberta Jamilly, era Aparecida Fernanda Ribeiro da Silva, roubada em 1979.

28 de abril
O Tribunal de Justiça de Goiás decreta a prisão preventiva de Vilma no processo que investiga o sequestro de Pedrinho. A decisão parte do juiz Adegmar José Ferreira, da 10ª Vara Criminal. Agentes vão à casa da acusada munidos do mandado de prisão, mas não a encontram. Ela é dada como foragida.

12 de maio
No início da manhã, Vilma Martins é surpreendida com fortes batidas na porta da casa onde buscou abrigo. Três policiais forçam a porta e entram no imóvel localizado em Aparecida de Goiânia. Eles encontram a empresária de 47 anos sob um enorme sofá e lhe dão voz de prisão.

24 de agosto
Oito anos e oito meses, em regime semi-aberto. O juiz Adegmar José Ferreira assina a sentença de Vilma, já presa. A pena diz respeito à subtração de incapaz e registro falso de Pedrinho. Logo depois, ela é condenada pelo rapto e registro de Aparecida Fernanda Ribeiro da Silva. Somadas, as condenações de Vilma em primeira instância renderam 19 anos e nove meses de cadeia.

2004
28 de maio
Desembargadores goianos reduzem em três anos e seis meses a pena imposta à ex-empresária no caso do sequestro de Pedrinho. Eles acatam uma das alegações da defesa, a de que o crime de parto suposto já prescreveu, pois ocorreu há mais de oito anos.

30 de maio
Vilma tem pena reduzida em seis meses no processo em que foi condenada por registro falso de Aparecida Fernanda Ribeiro da Silva. Já conseguiu reduzir quatro anos da pena com os recursos.

2005
27 dezembro
Vilma começa a cumprir pena em regime semi-aberto. Só terá que dormir na Casa do Albergado, em Goiânia. Agora, divide um pequeno quarto com cinco jovens detentas.

2006
A sequestradora de bebês passa a maior parte do ano fora da Casa do Albergado. Graças aos 12 atestados médicos apresentados à Justiça, ela ficou cerca de 200 dias na confortável chácara da família ou em uma clínica.

2007
9 de janeiro
Vilma é transferida de um hospital para a CPP. O juiz ordena a remoção após analisar relatório da Casa do Albergado, para onde a detenta não retornou após a saída de Natal. Enfermeiros e agentes constataram que ela jogava fora os remédios prescritos e se alimentava de forma prejudicial à saúde.

2008
Junho
Após cinco anos na cadeia, Vilma ganha o direito de cumprir pena em regime aberto. Ela começa a desfrutar do benefício na última semana do mês e até o fim do ano.

19 de agosto
Vilma ganha a liberdade condicional. Não poderá deixar Goiânia sem autorização judicial, terá de comunicar à Justiça a mudança de endereço, será obrigada a chegar em casa antes das 21h, mas não terá que comprovar trabalho. As normas valem até 16 de fevereiro de 2019, quando expira a pena.

2011
(foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press - 12/09/2012)
(foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press - 12/09/2012)

19 de novembro
Pedrinho se casa com a baiana Nábyla Gabriela Queiroz Galvão, em Brasília. A cerimônia reúne seus familiares brasilienses e goianos do noivo. Três meses depois, ele descobre que vai ser pai. O bebê nasce em dezembro.

O LIVRO
O caso Pedrinho – A emocionante história dos pais em busca do filho desaparecido por dezesseis anos e os bastidores da investigação policial e da cobertura jornalística.
De Renato Alves
Versão impressa
Páginas: 304
Preço: R$ 39,90
Editora: Geração
E-book
Preço: R$ 19,90
Sites: Amazon, Google Play, Livraria Cultura, Livraria Saraiva

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