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Estado de Minas

PM é presa dentro de batalhão por discordar de ordem de subcomandante

A policial pediu permissão para deixar a sala, ouviu um não como resposta, saiu e foi presa; advogado dela cita "abuso de autoridade" do major


postado em 20/03/2015 22:15 / atualizado em 20/03/2015 22:30

Uma policial militar do 17º Batalhão, de Águas Claras, foi presa por volta das 11h desta sexta-feira (20/3), após não acatar ordem do subcomandante da unidade. A subtenente Cybele Mara, 48 anos, relata ter recebido voz de prisão após discordar da fala do major Alves e deixar a sala sem a permissão dele. O advogado dela promete processar o oficial por abuso de autoridade, prática negada pelo chefe de comunicação social da corporação.

O incidente ocorreu durante reunião convocada pelo major para questionar o porquê de os subordinados não quererem participar do jantar de aniversário do comandante da unidade, tenente-coronel Daniel do Monte. O subcomandante teria questionado a qualidade do serviço do batalhão. "O major disse que não havia ocorrências em Águas Claras porque os PMs dormiam em serviço. Discordei e afirmei que era por conta da qualidade do trabalho", disse Cybele.

Nesse momento, o oficial teria mandado a subtenente ficar quieta pois "não queria mais ouvir dela". Ela teria pedido permissão para sair, ação comum no militarismo quando alguém se dirige ao superior. "Ele negou e mesmo assim saí. Não aguentei ouvi-lo gritar, mandar eu ficar quieta, simplesmente não concordei", disse. Foi quando ele deu voz de prisão.

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A conversa da policial com a reportagem aconteceu enquanto ela saía do Instituto de Medicina Legal (IML) e se dirigia para a Corregedoria da Polícia Militar. Até o momento da publicação, ela não tinha sido deslocada para o 19º BPM, unidade do Complexo Penitenciário da Papuda onde ficam os PMs presos.

Para o advogado de Cybele, o ocorrido no 17º BPM configura abuso de autoridade. "Não tenho dúvidas de que houve abuso de autoridade", disse Marcelo Almeida, que promete processar o major. "Vou fazer o possível para liberá-la antes do fim de semana e, ao conseguir fazê-la sair, vou entrar com uma representação civil por abuso de autoridade", afirmou.

O chefe do Centro de Comunicação Social da Polícia Militar, coronel Márcio Pereira, disse desconhecer que tenha havido abuso de autoridade. "Eles estavam em uma reunião de trabalho e a subtenente discordou de algumas considerações do major sobre o trabalho do batalhão. Ela se exaltou e saiu sem a permissão dele", explicou. "Ela foi alertada três vezes antes de receber voz de prisão. Desconheço que tenha havido abuso de autoridade", continuou.

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