A convivência no trânsito brasiliense vive dias de desarmonia. Na última semana, pelo menos dois conflitos terminaram em tragédia. Na quarta-feira passada, a servidora pública Juliana Larano Ribeiro, 36 anos, tornou-se vítima do ódio gratuito. Segundo relato de testemunhas, o médico Rogério Gonçalves de Vasconcelos, 37 anos, invadiu a pista onde era realizado um passeio ciclístico no Parque da Cidade e causado um acidente com a moça. Hoje está previsto um protesto no local para a aplicação de políticas públicas que protegem os ciclistas.
A servidora pública entrou para a estatística de violência no trânsito. Segundo um levantamento do Departamento de Trânsito (Detran-DF), os ciclistas se envolveram em 8,3% dos acidentes com vítimas. Nesses casos, a maioria de mortos são os próprios ciclistas. Dos 534 óbitos de 2003 até o ano passado, 509 eram os condutores das bikes.
;As pessoas estão usando o carro como uma arma que pode tirar a vida de outras. Isso desperta revolta na gente. É necessário termos mais segurança para pedalar;, afirma o professor de educação física Fabrício Lino, 38 anos. Ele pedala há 18 e reclama da falta de respeito dos motoristas . Por isso, um grupo de 300 ciclistas se reúne hoje, às 7h, para cobrar do governo políticas públicas que defenda quem anda sobre duas rodas. A concentração será no Estacionamento 12 do Parque da Cidade.
Depoimento
Tristeza profunda
;Eu estava pedalando, como faço todos os dias. Estava atrás do pelotão e, de repente, a caminhonete veio em cima de mim. Automaticamente, eu freei, perdi o controle da bicicleta e comecei a capotar. Nessa hora, eu dei um berro de pavor e vi que ia acontecer uma coisa terrível. O que me parou foi o meu queixo. Naquela hora, eu só queria alguém para me ajudar. A aglomeração de gente me assustou, foi uma sensação horrorosa. Estou em um estado de tristeza profunda. Esse homem foi capaz de tirar o meu maior prazer na vida, que é poder acordar de manhã e fazer a atividade que me dá ânimo, faz meu sangue correr na veia e me dá alegria. Há uma semana, eu realizei meu maior sonho: o de participar de uma competição e concluir em um bom tempo. O sentimento que fica é de indignação. Um agente da polícia me disse que essa pessoa já teve problemas com dois grupos de ciclistas. O que me ajuda a superar é o apoio dos meus amigos. Não sei se vou voltar a pedalar. Não queria abrir mão disso, mas estou com muito medo. Subir em uma bicicleta nunca mais será a mesma coisa. Espero que uma desgraça dessa não aconteça com mais ninguém.;
Juliana Larano Ribeiro
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