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Estado de Minas

Crônica da Cidade: os benefícios da prática do tai chi chuan


postado em 28/04/2015 08:17

(foto: Iano Andrade/CB/D.A Press - 2/6/09)
(foto: Iano Andrade/CB/D.A Press - 2/6/09)


Pratico tai chi chuan, religiosamente ou militarmente, há 20 anos. Eu sempre quis acessar alguma fonte de energia limpa, saudável, não destrutiva e não poluente, que nada tivesse a ver com drogas. Reza a sabedoria oriental que, quando você quer mesmo aprender alguma coisa, o mestre aparece. E, de fato, o mestre surgiu para mim na figura de uma mineira baixinha, delicada, leve e bem-humorada chamada Tânia Carmo.

Certa vez, fui pautado para fazer uma entrevista com a mestra e pedi a ela que ilustrasse os efeitos benéficos do tai chi com um caso. Ela contou que havia um sujeito neurótico, desconectado, tenso, que se irritava com ninharias e tinha o corpo duro feito um cabide. E que, depois de praticar o tai-chi, ninguém mais o reconhecia, pois se tornara mais leve, maleável, concentrado e pragmático. Curioso, perguntei quem era: “É você!”, ela respondeu, apontando para mim. E eu copiando tudo, penosamente, com meus garranchos, feito um palhaço.

Nada a ver com milagres. A prática do tai chi melhora a respiração, ativa a circulação e oxigena as células. Claro que o ânimo para enfrentar as pequenas guerras cotidianas melhora. Uma senhora contou que tinha verdadeiro pavor de ficar presa em um elevador. No entanto, logo depois de ser iniciada no tai chi, ela se viu precisamente impedida de sair de uma dessas perigosas geringonças, que resolveu enguiçar quando ela descia do prédio com mais três pessoas. E, para a sua própria surpresa, ela suportou o tempo de espera por socorro com uma insuspeitada tranquilidade.

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Para quem não sabe, o tai chi é originalmente uma arte marcial. Reza a história que tal arte marcial foi criada para que monges pudessem se defender dos assaltantes de estrada. Contudo, no decorrer do tempo, prevaleceram os aspectos terapêuticos. Certa vez, eu estava fazendo o exercício em casa, quando um amigo do meu filho, um moleque de 7 anos, sempre armado de muita verve, ficou observando. E, de repente, saiu com esta: “Tio, eu só queria te avisar que os caras com quem você estava brigando já foram embora’.

Fazer tai chi é como tomar um banho de energia e jogar para o espaço tudo que houver de ruim. Estava de férias no sítio do meu sogro, situado perto de Cristalina, e claro que não deixei de realizar os meus exercícios. Percebi que alguém se escondia atrás das árvores e me observava, mas continuei desenvolvendo as minhas evoluções marciais ou talvez marcianas.

No entanto, no dia seguinte, o meu cunhado desvendou o mistério: “O caseiro está impressionado com os seus exercícios. Ele disse que você dever ser bom de pancada e, numa briga, para te derrubar, só com um três-oitão”.

Contato: severinofrancisco.df@dabr.com.br
» (cartas: SIG, Quadra 2, Lote 340 / CEP 70.610-901)

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