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Estado de Minas

Opinião: o segundo mandato de Rollemberg


postado em 15/06/2015 14:15

A saída de Hélio Doyle do cargo de chefe da Casa Civil do governo do Distrito Federal sinaliza algumas coisas. Primeiro, está mais do que provado que o homem forte de qualquer mandato precisa ser o governador e mais ninguém; segundo, os partidos no Distrito Federal continuam com a política do toma la da cá, da exigência de cargos e com extrema dificuldade em aceitar não como resposta; terceiro, é sempre necessário um bode expiatório para justificar todo e qualquer fracasso. Já o sucesso costuma ser lindamente partilhado.

Sim, Hélio Doyle é centralizador e gosta de fazer tudo do seu jeito e a seu tempo. Sim, é um supercompetente estrategista, capaz de dar guinadas históricas em campanhas políticas e montar um governo baseado em critérios técnicos. Sim, é capaz de trabalhar para diversos governos e deserdar de todos eles, ao não conseguir impor seu estilo. Sim, Hélio não joga o jogo jogado, se é que me entendem. O resultado é que ele desagrada. Neste caso, acabou envolto por uma roupa desconfortável, que a meu ver não lhe serve: o de único responsável pela imobilidade do governo Rollemberg.

Foram cinco meses de reclamações e de tentativa de arrumar a casa, de fato bagunçadíssima pela gestão Agnelo Queiroz. Enquanto o governador plantava árvores, Hélio assumia o discurso mais duro e dava as más notícias. Não se pode dizer que foi uma divisão de tarefas justíssima. Mas, agora, Rollemberg terá a chance de cumprir o seu papel de político habilidoso, acostumado a uma trincheira ainda mais complexa, como o Congresso Nacional. Conseguirá acalmar os ânimos de alguns distritais? Acabará com a ideia de que seu governo é contra o servidor público? Escolheu alguém com perfil aparentemente conciliador. Talvez o ajude nessa empreitada.

De toda forma, a mudança no governo é um indício de recomeço, como se fosse um segundo mandato. Ironicamente, quem cunhou o conceito de que esta gestão daria uma cara nova à capital da República — já que pela primeira vez chega ao poder alguém da chamada geração Brasília — não está mais lá. Mas o governador sabe que é isto o que se espera dele. Espera-se que ele mude a cidade que o elegeu. Não pode correr o risco de cair na simples tentação de distribuir cargos para aprovar mudanças.

Aguardaremos, ansiosos, um novo jeito de fazer, um frescor político e a tomada de rédeas. Só não podemos voltar ao jogo de interesses que impôs a Brasília um triste lugar no ranking dos corruptos e dos incompetentes. Olhe os hospitais, governador; veja o transporte público. Não dê esperanças, como na campanha; mostre resultados. Sabemos que nada é imediato, nem ocorre de uma hora para outra. Podemos não ver a linha de chegada, mas é preciso ao menos saber que estamos no caminho.

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