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Estado de Minas

Antes mesmo de sair do papel, transbrasília já enfrenta oposição

A principal polêmica está em torno do Parque Linear, que seria cortado pela pista


postado em 24/06/2015 06:02 / atualizado em 24/06/2015 07:39

A área do futuro Parque Linear, traçado da Transbrasília, também abriga as linhas de transmissão de energia de Furnas: Justiça exige a implantação da unidade de preservação(foto: Daniel Ferreira/CB/DA Press - 22/3/12)
A área do futuro Parque Linear, traçado da Transbrasília, também abriga as linhas de transmissão de energia de Furnas: Justiça exige a implantação da unidade de preservação (foto: Daniel Ferreira/CB/DA Press - 22/3/12)


O debate sobre a Transbrasília mal começou e enfrenta a resistência de entidades de preservação de Brasília, arquitetos e ambientalistas, que reclamam do adensamento populacional e alegam que a futura pista passará na área de um parque. Os opositores da proposta de construção de uma via expressa entre Plano Piloto e Samambaia, passando por cidades como Águas Claras e Guará, também questionam a falta de participação popular na criação da estrada e afirmam que a iniciativa representa a priorização do transporte individual em detrimento do coletivo.

O projeto da Via Interbairros tem quase uma década, e a retomada da proposta foi anunciada na semana passada pelo governador Rodrigo Rollemberg, que a rebatizou como Transbrasília. A ideia é fazer a obra, orçada pela Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos em cerca de R$ 1,4 bilhão, por meio de Parceria Público-Privada (PPP). O consórcio vencedor da licitação a construiria e, em troca, receberia terrenos para novos empreendimentos residenciais e comerciais às margens da rodovia.

O trajeto da nova pista é praticamente idêntico ao anterior — a única diferença é que, na proposta inicial, divulgada em 2006 na gestão do então governador José Roberto Arruda, a via chegava apenas até o início de Samambaia e, na nova versão, cruza toda a cidade. A Pró-Federação em Defesa do DF, grupo que reúne mais de 20 entidades de defesa de Brasília, divulgou um documento questionando a proposta. O texto será entregue ao Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A arquiteta e urbanista Tânia Batella, do Instituto Pactos de Desenvolvimento Regional Sustentável, alega que a iniciativa agride o tombamento e afronta o Estatuto da Cidade. “Esse projeto vai gerar especulação imobiliária. As empresas vão adquirir terrenos para estocar, pois não há demanda no mercado”, prevê a especialista. “Além disso, soubemos da retomada desse projeto pela mídia. O governador falou tanto em gestão democrática durante a campanha e fez promessas de tirar a pressão sobre o Plano Piloto. Não é isso que estamos vendo”, critica Batella.

A presidente do Conselho Comunitário da Asa Sul, Heliete Bastos, diz que as entidades de preservação de Brasília questionam a Transbrasília há quase uma década. “Desde o tempo do Arruda, a gente vem alertando sobre o risco de adensamento populacional ao longo da pista. Tudo isso terá impacto no Plano Piloto, e o projeto passa por áreas ambientalmente sensíveis”, argumenta a líder comunitária.

As entidades afirmam, ainda, que o traçado passa pela área do Parque Linear, unidade de preservação proposta pelo MPDFT para Águas Claras. Há uma determinação da Justiça para que o GDF implante esse parque, que fica entre as quadras 200s do bairro e o Setor Arniqueiras, na região por onde passam as linhas de transmissão de energia de Furnas.

Pela decisão do Judiciário, o governo fica proibido de parcelar o Parque Linear. O MPDFT é o autor da ação civil pública que culminou com essa determinação. Alegou que o projeto original de Águas Claras sofreu alterações significativas, o que gerou adensamento populacional exagerado, e que, portanto, seria preciso promover compensações. “Apresentamos estudos técnicos com sugestão de compensação ambiental pela supressão de áreas verdes e do desequilíbrio ambiental.

Uma das sugestões foi a criação do Parque Linear. Se ele for inviável, o GDF tem que apresentar outras sugestões de áreas em Águas Claras”, explica o promotor de Defesa do Meio Ambiente César Augusto Nardelli. “Hoje, está em vigor a decisão que proíbe qualquer parcelamento urbano naquela área.”

 

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