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Estado de Minas

Ponte Costa e Silva troca de nome e termina homenagens à ditadura no DF

Distritais aprovam projeto de lei que troca o nome para Honestino Guimarães. E, assim, apaga-se o último resquício de homenagem ao período da ditadura militar em Brasília. PL aguarda agora sanção do governador


postado em 02/07/2015 06:03 / atualizado em 02/07/2015 07:13

A Ponte Costa e Silva foi projetada por Oscar Niemeyer, em 1967, e inaugurada em fevereiro de 1976. Ela tem 400 metros. As obras só começaram em 1976, durante o governo de Elmo Serejo Farias (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press - 15/10/09)
A Ponte Costa e Silva foi projetada por Oscar Niemeyer, em 1967, e inaugurada em fevereiro de 1976. Ela tem 400 metros. As obras só começaram em 1976, durante o governo de Elmo Serejo Farias (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press - 15/10/09)

 

O último resquício dos anos de chumbo na capital brasileira deverá sair de cena após sanção do governador Rodrigo Rollemberg (PSB). A Ponte Costa e Silva, que liga a Asa Sul ao Lago Sul, era o único monumento, em Brasília, que ainda homenageava protagonistas da ditadura militar. Em três tentativas silenciosas, em 1999, 2003 e 2012, projetos de lei tentaram renomeá-lo. Mas não foram adiante. Ontem, a reivindicação antiga de alguns brasilienses teve fim. Apesar da imensa discussão, a Câmara Legislativa do DF aprovou, com 14 votos a favor, o Projeto de Lei nº 130, que rebatiza a ponte. Sai o presidente militar Costa e Silva e surge o líder estudantil Honestino Guimarães.

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Durante 21 anos, o Brasil viveu sob o regime ditatorial. Ao longo de duas décadas de repressão de suspensão dos direitos individuais, os nomes dos homens que lideraram o período proliferaram em ruas, escolas, praças e monumentos por todo o território brasileiro. A partir do processo de redemocratização, iniciado em 1985, Brasília começou a rebatizar os lugares que lembravam os militares. A mudança de nomenclatura precisa ser sancionada pelo governador, que, segundo a Assessoria de Comunicação da Secretaria de Relações Institucionais, aguarda o recebimento da redação final do PL para se posicionar.

Muitos, porém, já celebram a aprovação na Câmara. “É uma vitória política e ideológica. A ditadura foi um processo doloroso para o país. Trocar para Honestino é importante, pois ele foi fundamental para o processo de redemocratização”, analisa o cientista social Eduardo Pereira, 23 anos. Na avaliação do professor de história da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador da Comissão Anísio Teixeira Memória e Verdades, José Otávio Nogueira Guimarães, a mudança será importante, sobretudo, para a democracia atual. “As pessoas que passarem por ali vão se perguntar quem foi Honestino, o que aconteceu com ele, e isso reforça a necessidade de pensar a democracia e de aperfeiçoar os direitos humanos.”

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