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Estado de Minas

Justiça do Trabalho vistoria condições em lixão da Estrutural

A intenção é tirar crianças e adolescentes do lixão para valorizar questões sociais como educação, cultura e lazer


postado em 03/08/2015 16:26 / atualizado em 03/08/2015 19:41

Após um incêndio subterrâneo atingir uma área de 10 mil m² no Lixão da Estrutural, o procurador de Justiça do Trabalho, Valdir Pereira da Silva, foi até o local para vistoriar as condições de trabalho. A intenção é tirar crianças e adolescentes do lixão para valorizar questões sociais como educação, cultura e lazer. Ele criticou o fato de o depósito de resíduos ainda estar funcionando, em desconformidade com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

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A construção necessária para a desativação do lixão seria o Aterro Sanitário Oeste, em Samambaia. No entanto, as obras pararam em 2014 e só foram retomadas na última semana. A previsão é de que fique pronto somente em dezembro de 2016. “Acompanhamos a situação dos trabalhadores há seis anos. Estamos vistoriando. Existe uma decisão desde 2010 que obriga o fechamento do lixão, mas o governo do DF não acatou”, informou Silva.

(foto: Otávio Augusto/Esp. CB/D.A. Press)
(foto: Otávio Augusto/Esp. CB/D.A. Press)


O incêndio identificado na última sexta-feira (31/7) e é considerado de médio porte pelo Corpo de Bombeiros do DF. Para conseguir reduzir as chamas subterrâneas, os militares jogam terra em buracos para bloquear a passagem de oxigênio. O trabalho deve durar mais dois dias. Devem ser utilizados de 400 a 800 caminhões de terra para a conclusão da ação. Os bombeiros descartaram o risco de explosão, mas não aconselham o trabalho no local devido a fumaça tóxica.

 

Para o procurador do Trabalho Valdir Pereira da Silva as instalações são “desumanas”. “Vimos gente trabalhando de chinelo, sem luva e sem qualquer tipo de proteção ou segurança. Notificamos o governo, mas ele não fez o dever de casa”, disse. O alerta mais recente foi em dezembro do ano passado. Naquela ocasião, o Ministério Público do Trabalho (MPT) listou itens que deveriam ser alterados, como a distribuição de luvas e botas.

Medo

Hoje existem seis cooperativas trabalhando no local. Ao todo, 1,5 mil catadores operam o lixão diariamente. “A gente não tem condições de trabalho. Estamos aqui porque não temos para onde ir. Nunca recebi luva e bota da cooperativa. A única segurança aqui é a de Deus”, reclama a catadora Sílvia da Silva Costa, 51 anos. Segundo ela, todos os catadores estão assustados com o incêndio. “Aqui sempre tem acidente, mas nunca houve nada desse jeito. Temos medo de explosões”, completa.

Há 31 anos no lixão, Canuto Maciel da Cruz, 72, teme pela segurança pessoal e dos colegas. “Nunca me machuquei, mas vi muita gente parar no hospital. Com isso aqui (incêndio) não temos como controlar, não é algo que esteja ao nosso alcance”, ressalta. Para o catador, faltam ações concretas do governo. “Nunca fizeram nada aqui para termos mais segurança. Nem quando morre gente nada acontece”, afirma.

Canuto Maciel da Cruz, 72, reclama da segurança no lixão (foto: Otávio Augusto/Esp. CB/D.A. Press)
Canuto Maciel da Cruz, 72, reclama da segurança no lixão (foto: Otávio Augusto/Esp. CB/D.A. Press)


O Serviço de Limpeza Urbana (SLU) informou que o local não é adequado para o trabalho humano. “Não temos como fechar os portões e deixar essas pessoas sem trabalhar. O governo está se preparando para transferir esses trabalhadores”, afirmou Jaira Puppim, superintendente de inclusão dos catadores. A representante do órgão não revelou um prazo para que isso seja feito.

O incêndio

O coronel Lourival Corrêa do Corpo de Bombeiros descarta o risco de explosões no local, mas recomenda que as pessoas não permaneçam no lixão devido os riscos de intoxicação. As chamas mais profundas podem chegar a 20 metros da superfície. "A fumaça produzida faz muito mal. A presença do metano pode trazer diversos problemas à saúde, por exemplo, o agravamento de doenças respiratórias", disse.

A fermentação do lixo aterrado gera gases inflamáveis, entre eles, o metano. Com a umidade relativa do ar baixa e a alta temperatura, as reações químicas produzem calor naturalmente. Daí origina-se o fogo. "O vento tem facilitado a situação e a fumaça não está indo em direção ao lado da cidade, onde está habitada, e isso melhorou nosso trabalho. Então, não corre o risco, a princípio, que tenha contato com a cidade", garantiu Corrêa.

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