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Estado de Minas

Análise da notícia: Ponto para Rollemberg

A ação do governador reúne méritos. Outros governantes tiveram oportunidade de fazer o mesmo e não o fizeram por omissão ou covardia


postado em 25/08/2015 09:48

O governador Rodrigo Rollemberg deu um passo decisivo para legalizar a terra no Distrito Federal. Ele sabe que não basta derrubar casas, seja nos quintais arejados do Lago Sul, seja nos apertados barracos de baixa renda da periferia. É preciso prender grileiros. E a cidade está repleta deles. Nesta desocupação histórica no Lago Sul, é certo que o governo tomou providência porque estava, por assim dizer, com a faca no pescoço. O processo se arrasta desde 2005, e a sentença que determinou a recuperação da orla do Lago transitou em julgado em 2011. Do ponto de vista da legislação, apesar da guerra de liminares, a desocupação das invasões chiques era uma questão de tempo. Faltava a vontade política.

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Por essa razão, a ação de Rollemberg reúne méritos. Outros governantes tiveram oportunidade de fazer o mesmo e não o fizeram por omissão ou covardia. A decisão política de enfrentar a desordem fundiária, tão profundamente arraigada no Distrito Federal, deve ser vista como acertada. O socialista está de parabéns e deve ser apoiado, assim como a gestora da Agefis, que está sujeita a pressões de toda ordem, até de suas excelências deputados distritais.

A terra pública em Brasília sempre foi motivo da cobiça e ganância. Cada pedaço desse lindo planalto, seja em área rural, seja em área pública, foi e é disputado até com arma, se preciso for. Muitos até hoje amealharam fortunas erguendo prédios, abrindo estradas, fincando cercas onde não deveriam, demarcando terrenos que não lhes pertenciam. No lucrativo mercado imobiliário do Distrito Federal, muitos ganharam dinheiro respeitando as leis. Outros ganharam ainda mais passando por cima delas. A voracidade em ocupar qualquer espaço transformou a capital da República em um aglomerado de diferentes cidades, onde mansões e barracos erguidos em área pública ferem a lei igualmente. Não fossem a ação rigorosa do Ministério Público e o compromisso de alguns juízes do Tribunal de Justiça, a capital já teria sido loteada por mafiosos grileiros.

Em um gesto corajoso, Rollemberg decidiu ir além dos antecessores e assumir o desgaste de passar o trator nos endereços chiques de Brasília. Mostrou que pretende seguir a lei — doa em quem doer.

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