Jornal Correio Braziliense

Cidades

Manifestantes passam a curtir rotina de luxo no St Peter Hotel

O coordenador do grupo vive hoje no principal quarto do estabelecimento

Uma semana após invadir um hotel de luxo no centro da cidade, tomar banho de piscina e comer e beber os produtos da cozinha e da geladeira dos quartos, integrantes do Movimento Resistência Popular pelo Direito à Cidade (MRP) estão confortáveis o suficiente para dizer que não querem se mudar. Em reunião com representantes do GDF, ontem, o grupo pediu a doação de um terreno para deixar o St Peter Hotel. Essa área, provavelmente em Ceilândia, seria o próximo destino das 450 famílias alojadas no estabelecimento do Setor Hoteleiro Sul. Mesmo sinalizando a disposição para negociar, porém, o governo não decidiu se libera o espaço.



Prejuízo
Mas, diante da promessa de evitar confrontos, o MRP se acomodou. Os primeiros dias de invasão ficaram marcados pelos termos utilizados por Edson Silva para definir o futuro. O chefe dos sem-teto previu ;um banho de sangue;, afirmando incansavelmente que ninguém abandonaria o hotel. ;Eles não têm para onde ir. Continuamos assim há meses;, reclamou. De acordo o líder, a doação de um terreno acalmaria os ânimos e facilitaria a mudança. ;Queremos um endereço para onde ir. Sem nada, não podemos ficar;, acrescentou.

O advogado dos donos do St Peter, Sérgio Roncador, informou que o clima é de ;muita tensão;. ;Estamos preocupados. Além do desconforto, existe um prejuízo. É uma questão patrimonial, um bem dilapidado;, reclamou. Ele também relatou furtos. ;O grupo leva lençóis, talheres, objetos dos quartos; Entram com as mochilas vazias, mas elas saem cheias.; O defensor calcula prejuízos de pelo menos R$ 1 milhão.

Esse dinheiro poderá ser cobrado do GDF, segundo Roncador. ;Agora é o momento de apagarmos o incêndio. Mas, quando tivermos noção de todos os estragos, vamos ver quem vai pagar a conta. Não podemos descartar a responsabilidade do governo;, concluiu.