Flávia Maia
postado em 18/10/2015 08:12
Ari Joaquim da Silva, 65 anos, é o novo presidente da Companhia Energética de Brasília (CEB). Embora tenha mudado de cargo, a rotina não alterou muito ; até a sala continua a mesma. Ari chegou à CEB com o então presidente, Francisco Santiago, em 7 de janeiro deste ano, a convite do governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Era o braço direito de Santiago no cargo de diretor-geral. Até a sala da presidência os dois dividiam. A dupla se conhece desde o tempo em que trabalhavam no segmento de telecomunicações. Ao assumirem a CEB, o desafio era tirar a companhia da grave crise financeira ; o deficit da empresa é de R$ 360 milhões ; e de qualidade no serviço.Alegando motivos pessoais, Santiago pediu para sair da presidência neste mês. Ari herdou a missão de recuperar a CEB, seguindo o projeto de gestão desenhado pelos dois. Em entrevista exclusiva ao Correio, o novo presidente faz uma análise dos últimos meses. Ele destaca que a companhia continua operando no vermelho, embora o prejuízo semestral tenha diminuído de R$ 147,9 milhões para R$ 36,5 milhões. Por isso, não descarta a hipótese de mais aumentos na conta de energia elétrica ; nos últimos 12 meses, os incrementos na fatura somaram 73,74%.Para o futuro da CEB, Ari destaca a importância da capitalização da empresa. O comunicado mostrando interesse de injeção de capital foi publicado em 30 de setembro. A ideia é vender ativos da parte de geração da holding e alienar imóveis da companhia.

O senhor está na CEB desde janeiro deste ano, como diretor-geral, e agora assumiu a presidência. A gestão do senhor será uma continuidade do trabalho que vinha fazendo com o Santiago ou terá uma marca mais pessoal?
Quando nós assumimos a empresa em janeiro, fizemos um plano juntos. Eu vou continuar o plano que definimos em 7 de janeiro de 2015.
Uma das dificuldades apontadas para a administração da CEB é o deficit da empresa, calculado em R$ 360 milhões. Vocês conseguiram amenizar esse deficit em nove meses?
A CEB está passando uma crise financeira muito severa. É lógico que estruturamos muita coisa no sentido de contornar essa crise, mas ela não está contornada. A CEB só será saneada financeiramente quando houver a organização societária do grupo CEB. Esses projetos ainda vão levar um ano.
As medidas adotadas pela administração surtiram algum efeito nesses meses?
Sim. A companhia ainda opera com prejuízo, mas ele já diminuiu bastante. No primeiro semestre de 2015, foi de R$ 36,5 milhões. No primeiro semestre de 2014, ele era de R$ 147,9 milhões. Diminuiu muito.
Essa recuperação se deve às medidas saneadoras ou já é efeito do aumento do preço da energia e das bandeiras tarifárias?
É um conjunto de medidas. Tivemos o efeito das bandeiras, o reajuste extraordinário que a Aneel deu; em agosto, tivemos o reajuste ordinário de tarifa.
Este ano a tarifa de energia elétrica subiu muito e incomodou o consumidor, não só na CEB, mas em todo o país;
Em função daquela redução tarifária de 2013, o setor energético ficou em uma situação muito difícil. Por isso, o setor está passando por uma recuperação tarifária, que não está completa.
Isso significa que o setor precisa de mais reajustes para equalizar as contas? Ou seja, a tarifa de energia elétrica ainda pode subir;
Sim. Mas não é o momento de falar sobre isso.
No início da gestão do Santiago, a CEB estava tentando um empréstimo para a reestruturação, mas encontrava dificuldade por causa da imagem desgastada da empresa no mercado. Vocês conseguiram esse empréstimo?
Chegamos a fechar uma operação que tem dois momentos. O primeiro já aconteceu: contratamos R$ 130 milhões. Agora estamos esperando o aditamento do contrato de concessão para entrar com a segunda parte.
Esse contrato de concessão é o da própria CEB?
O governo acabou não conseguindo fazer o processo em tempo certo. A nossa concessão expirou em 7 de julho deste ano. E estamos sem concessão até hoje.
Vocês estão operando sem a concessão? Estão ilegais?
Estamos em um limbo regulatório. Não é só a CEB que está nessa situação, outras 37 concessionárias passam pela mesma questão. O processo de renovação das concessões foi feito de forma atabalhoada. Por isso, o Tribunal de Contas da União (TCU) fez recomendações à Aneel de mudanças nos contratos e a agência está nesse processo. A expectativa do próprio ministro que foi o relator do processo é a de que os contratos devem estar prontos no fim do ano.
Qual é o impacto de operar sem concessão? Consegue fechar contratos, por exemplo?
Contratos de fornecimento, sim. A empresa continua operando normalmente. A questão que complica é do ponto de vista de a empresa contratar empréstimos bancários. O banco precisa de garantia. O que é a CEB sem concessão? A razão de ser da CEB é explorar a concessão.
Em abril, a CEB teve que apresentar um plano de reestruturação para a Aneel. Tiveram alguma resposta da agência?
A própria Aneel já reconhece uma melhora substancial no atendimento ao consumidor e na qualidade do serviço; diminuímos a frequência e a duração das interrupções. Houve queda substancial de consumidores, que, insatisfeitos com o serviço da CEB, procuravam a Ouvidoria da Aneel. A Aneel tem os dados, eles mesmos cumprimentaram a empresa pelas melhorias.
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