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Estado de Minas

Documentário: diferença entre discurso e prática de religiosos sobre gays

Escondidos atrás de computadores, homens ligados a igrejas se insinuam sexualmente para um fiel


postado em 23/11/2015 06:10 / atualizado em 23/11/2015 12:51

Trecho do trailer disponível no Youtube(foto: Youtube/Reprodução)
Trecho do trailer disponível no Youtube (foto: Youtube/Reprodução)

Quando Dener Giovanini, carioca radicado em Brasília, resolveu fazer um documentário mostrando a posição de padres e pastores contra gays, ele encontrou mais do que imaginava. O jornalista usou um ator homossexual de 25 anos, morador do Amapá, para se passar por um fiel em busca de ajuda nas igrejas. Foram entrevistados, por meio de redes sociais na internet, 5 mil sacerdotes e pessoas ligados à área, de 30 países. Nas conversas, que se tornaram parte do documentário Amores santos, previsto para sair em janeiro, eles se exibiram e se tocaram para o interlocutor. Entre os envolvidos, há três padres e pastores do Distrito Federal.

Na webcam, alguns usam batina e se exibem em espaços como a sacristia. Nas conversas com o ator por WhatsApp, Facebook e Skype, os religiosos demonstram o desejo por outros homens. Segundo o documentarista, alguns chegaram a oferecer passagens aéreas para o jovem se encontrar com eles no Brasil e até fora do país, como o caso de dois padres de Roma. No entanto, o cineasta garante que o integrante da equipe não fez nenhuma das viagens. Ele filmou sacerdotes de Estados Unidos, Alemanha, Holanda, França, Suécia, Suíça, Espanha, Bélgica, Inglaterra, Filipinas, Itália — inclusive do Vaticano —, Canadá, México, Costa Rica e Argentina, entre outros países.

Assista ao trailer do documentário: atenção, cenas fortes

Para comprovar que se tratam de religiosos, Dener pesquisou o perfil pessoal de cada um deles nas redes sociais. Ele encontrou fotos dos personagens celebrando missas e cultos, e ao lado de fiéis. Segundo o cineasta, a equipe também teve a preocupação de checar os nomes dos religiosos na internet e, em determinados casos, confirmou a identidade deles com as igrejas e os templos que fazem parte.

Além do trailer do documentário disponível na internet, com duração de 1 minuto e 37 segundos, o Correio assistiu a uma parte exclusiva do longa-metragem. Nenhum dos rostos é revelado durante o filme para preservar a identidade dos religiosos. Mas eles exibem os órgãos genitais e fazem movimentos sexuais. Do total das 5 mil entrevistas, Dener utilizou cerca de 1 mil para a produção final.

O ambientalista e jornalista Dener Giovanini, diretor do documentário Amores Santos (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
O ambientalista e jornalista Dener Giovanini, diretor do documentário Amores Santos (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)


Contradições
A ideia de produzir o documentário surgiu a partir de um anseio do diretor cinematográfico em mostrar os discursos religiosos contra a comunidade gay. Especialista em assuntos ambientais, até então ele havia feito apenas produções televisivas e séries sobre o tema. Contudo, no fim de 2014, o jornalista criou um perfil falso no Facebook para fazer contato com religiosos. A intenção era buscar uma espécie de orientação dos sacerdotes.

No entanto, quando o personagem inexistente se revelava homossexual, o discurso mudava. “Ficava claro o interesse sexual e as mensagens caminhavam para outro rumo. Eles perguntavam se não era melhor conversar sobre o assunto pessoalmente, por telefone ou por vídeo. Comecei a perceber, então, que a história era outra. Chegou-se a uma quantidade absurda de mais de 5 mil conversas com religiosos de diferentes crenças e não teve mais porque a gente não quis. Um deles é seminarista que foi para a instituição aos 13 anos por imposição dos pais depois de revelar a homossexualidade. Ele se forma no próximo mês e confirmou ser gay”, detalha.

Dener explica que a intenção do documentário é revelar a contradição dos discursos religiosos com a prática dos sacerdotes. Ele garante que na produção aparecem evangélicos, católicos e anglicanos. Segundo o cineasta, houve dias em que o ator fazia até 20 gravações. “O objetivo é mostrar a hipocrisia do discurso religioso homossexual. Sacerdotes de diferentes religiões condenam o que eles próprios fazem escondidos dentro de casa”, alega.

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