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Estado de Minas

Correio testa rede de wi-fi pública no DF: sinais instáveis ou inexistentes

Na maioria dos casos, os internautas reclamam de lentidão. GDF tem projeto para expandir o serviço


postado em 23/11/2015 11:28 / atualizado em 23/11/2015 11:43



A internet é descrita por especialistas como um meio democrático de acesso à informação. Contudo, quando se trata do alcance à população, ainda falta muito para que o benefício da tecnologia seja, de fato, pleno. Como uma melhoria para a Copa do Mundo, o governo anterior iniciou, em maio do ano passado, a instalação de equipamentos para disponibilizar a internet sem fio em pontos centrais de Brasília. Por isso, antenas foram colocadas no Estádio Nacional Mané Garrincha, na Rodoviária do Plano Piloto, na Torre de TV e no Parque da Cidade. Na semana passada, o Correio esteve nesses locais para verificar o funcionamento da rede wi-fi e constatou que, mais de um ano após a iniciativa, a internet pública goleia de 7 x 1 os usuários do DF (veja mapa).

Luzia trabalha na Rodoviária do Plano Piloto e reclama da lentidão da rede:
Luzia trabalha na Rodoviária do Plano Piloto e reclama da lentidão da rede: "No fim de semana, é mais rápido" (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)


A primeira tentativa de conexão ocorreu no Parque Nicolândia. Do estacionamento até os brinquedos, houve vaivém da rede. Na tela do smartphone, se mostrava constante a busca pelo acesso. Em outro ponto da área de lazer, no antigo Pedalinho, a opção nem sequer estava disponível. Poucos metros adiante, na Praça Eduardo e Mônica, a situação se repetia. Perto dali, no estacionamento do Estádio Nacional Mané Garrincha, a rede aparecia, mas acompanhada do aviso “não foi possível conectar-se”. Após 15 minutos de tentativas constantes, houve êxito uma vez, mas não demorou muito para que o sinal sumisse novamente.

A terceira parada foi na Torre de TV. Na feira de artesanato, o serviço ganhou elogios dos comerciantes. “Desconheço qualquer problema. Usamos normalmente para baixar vídeo, enviar e-mail, o dia inteiro, pelo wi-fi”, conta Sandro Castro, dono de uma loja de roupas. A satisfação, no entanto, muda à medida que o visitante caminha pelo espaço. Quem quiser fotografar a vista de cima da Torre, por exemplo, subirá as escadas e, assim, se afastará do roteador, instalado bem próximo ao estabelecimento de Sandro. Com isso, a internet para de funcionar e, só quando retornar à feirinha, poderá postar a imagem nas redes sociais.

Sandro não enfrenta dificuldades para acessar a rede na Feira da Torre de TV, mas o sinal some nos arredores(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Sandro não enfrenta dificuldades para acessar a rede na Feira da Torre de TV, mas o sinal some nos arredores (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)


O principal problema enfrentado pelos internautas na Rodoviária do Plano Piloto é a lentidão, causada, possivelmente, pelo grande fluxo de internautas. A reportagem clicou um site que informaria os horários das linhas do metrô e esperou das 13h32 às 13h52, sem acesso. “A internet aqui é muito devagar. Acho que é pela quantidade de gente que usa, tanto que, no fim de semana, geralmente é mais rápido”, diz Luzia Ribeiro, que trabalha em uma lanchonete da plataforma inferior. Em abril, o metrô instalou internet nas estações Central, Galeria, Feira e Águas Claras. À época, o presidente da empresa, Marcelo Dourado, informou que a previsão era de que o serviço fosse estendido a todas as 24 estações até agosto. A assessoria de Comunicação da Metrô-DF, no entanto, comunicou que a nova data é até 2017.

Roteador instalado na antena da Torre de TV: serviço ainda sofre críticas
Roteador instalado na antena da Torre de TV: serviço ainda sofre críticas



Fiscalização
Na visão do coordenador do curso de ciência da computação do UniCeub, Paulo Rogério Foina, há várias possíveis causas para os problemas verificados na internet wi-fi pública do Distrito Federal. Uma delas, segundo ele, é a recente experiência de técnicos brasileiros sobre o assunto. “As redes abertas de dados, sejam governamentais, sejam colocadas em restaurantes, bibliotecas e escolas, começaram a aparecer nos últimos cinco anos. Os especialistas não sabem como os usuários brasileiros usam o serviço”, acredita. Outra probabilidade é a mudança de perfil de internautas, que passaram a demandar mais da internet. “Classes mais baixas passaram a ter smartphones e passaram a usar essas redes. Era um grupo que não consumia esse serviço. Isso faz com que os modelos que existem sejam insuficientes”, explica.

Para o professor de engenharia de redes da comunicação da UnB Rafael de Sousa, implantar uma internet pública de qualidade não é difícil. “O equipamento e o modelo existem. O problema está, a meu ver, em dois pontos. Primeiro, está mal dimensionado. Aí, vem a segunda parte, que é gerenciar a rede. Você tem de verificar tudo o que está ocorrendo, como falhas, aumento de usuários e mudanças de aplicações”, analisa.

No Parque Nicolândia, o Correio identificou sinal instável
No Parque Nicolândia, o Correio identificou sinal instável


Rafael avalia que a fiscalização após a instalação é uma tendência mundial; para isso, sugere que a responsabilidade — atualmente, delegada ao próprio GDF — seja do Tribunal de Contas do DF. “Como parte da governança, vem o processo de auditoria e de verificação de qualidade. Na situação em que se encontra a coisa, na minha opinião, deveria ter uma secretaria de fiscalização de tecnologia da informação do TCDF, porque ele é órgão assessor ligado à Câmara Legislativa, que representa o povo”, propõe.

Implementação
A Casa Civil informou que “a cobertura nos locais onde está implementado o projeto não é ubíqua, ou seja, o usuário precisa estar a uma distância mínima (um raio de aproximadamente 200m) do mastro com os equipamentos de wi-fi ou do ponto de acesso. O usuário deverá identificar em seu dispositivo a rede GDF_Sinal Livre e acessá-la, sem necessidade de senha.” Além disso, a Secretaria Adjunta de Ciência, Tecnologia e Inovação, responsável pelo projeto, tem disponível um sistema de monitoramento da rede que acusa qualquer indisponibilidade e permite acompanhar seu uso por localidade. “Pelo feedback de usuários e testes de velocidade de rede realizados pela Secretaria Adjunta, temos resultados excelentes para velocidade, sendo considerada muito rápida. A infraestrutura de rede atualmente implementada (...) permite que o projeto seja expandido, inclusive a regiões administrativas e a todas as estações do metrô, entre outras possíveis localidades.”

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