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Estado de Minas

GDF discute plano para enfrentar a microcefalia

O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) deve anunciar na próxima semana o Plano Distrital de Enfrentamento do Aedes Aegypti e da Microcefalia, que prevê ações de combate ao mosquito e de tratamento de pacientes com crânio pequeno


postado em 09/12/2015 11:34 / atualizado em 09/12/2015 16:00

A capital federal está em situação bem distinta das áreas com altas taxas de transmissão do zika vírus e o maior número de casos de microcefalia. Em cinco anos, a Secretaria de Saúde notificou apenas 13 casos de bebês com o cérebro menor que 32 centímetros. Contudo, o executivo local se prepara para combater a epidemia que afetou sobretudo o nordeste do país. O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) deve anunciar na próxima semana o Plano Distrital de Enfrentamento do Aedes Aegypti e da Microcefalia, que prevê ações de combate ao mosquito e de tratamento de pacientes com crânio pequeno. Hoje, o titular do Buriti discute o tema com administradores regionais e representantes do Exército e Defesa Civil. O secretário de Saúde, Fábio Gondim, deve debater o documento durante a reunião mensal do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass).

Funcionário no combate ao Aedes Aegypti: prioridade no programa(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)
Funcionário no combate ao Aedes Aegypti: prioridade no programa (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)

A iniciativa, a que o Correio teve acesso com exclusividade, estabelece a criação de um grupo especial que envolve a Subsecretaria de Vigilância Sanitária (SVS), especialistas como neuropediatras, neonatologistas, obstetras, pediatras, além da Atenção Básica — serviço que envolve ações de combate aos problemas mais frequentes e educação para a saúde. Duas unidades médicas serão referência no acolhimento dos pacientes: o Hospital Materno Infantil de Brasília (HmiB) e o Hospital da Criança (HCDF). “É um enfrentamento desde os criadouros do mosquito até a assistência médica que essas crianças terão. Dessa forma, estaremos preparados para desenvolver programas de estimulo precoce, por exemplo, que são essenciais aos indivíduos que têm microcefalia. A gestante com a suspeita e o acompanhamento serão regulados pelo plano”, revelou a coordenadora de Neuropediatria da Secretaria de Saúde, Janaína Monteiro.

O programa é específico para casos de microcefalia. Hoje, apenas 20 neuropediatras atendem toda a demanda da rede pública do DF. “Temos uma procura grande, pois oferecemos tratamentos de outras especialidades. Porém, com o plano vamos conseguir monitorar os casos da epidemia e dar assistência aos pacientes regulares”, garantiu Janaína.

Combate
Uma das frentes de ação do governo é conscientizar a população contra o Aedes. Cerca de 80% dos criadouros do mosquito estão nos domicílios. Este ano, a SVS realizou cerca de 2 milhões de visitas no DF. Contudo, o número de agentes é insuficiente para cumprir o cronograma de quatro inspeções anuais em cada casa. Atualmente, cerca de 500 profissionais atuam num cenário em que seriam necessários 1,3 mil — deficit de 61,5%. “Estamos com deficiência de recursos humanos, mas cada morador deve ser um agente de vigilância. Só assim vamos conseguir combater o mosquito e evitar os problemas. A prevenção é o melhor caminho”, ressaltou subsecretário de Vigilância à Saúde, Tiago Coelho.

O Núcleo de Controle de Endemias da Secretaria de Saúde não descarta a possibilidade de o DF se tornar mais uma unidade da federação onde ocorre a transmissão. O chefe do setor, Dalcy Albuquerque, adverte que não existe vacina contra o zika vírus. “A cidade tem dois fatores que contribuem para a proliferação da doença: pessoas que nunca se infectaram e mosquito transmissor”, destacou.
Desde 1996, o DF registra casos de dengue, portanto, tem a presença do mosquito que também transmite zika vírus e febre chikungunya. No entanto, a partir de 2009, houve aumento de infecções. “Neste momento, é preciso entrar em guerra contra o mosquito. Não existe motivo para desespero. Não há registro de nenhum caso de paciente infectado no DF”, garantiu Dalcy.

Tratamento
Quando nasce com microcefalia, a criança não tem apenas um crânio menor. Pelo resto da vida, deverá ser acompanhada e ter seu desenvolvimento estimulado com fisioterapia e fonoaudiologia, por exemplo. Os neuropediatras são unânimes: não é possível estabelecer o nível de danos ao cérebro. Por isso, o tratamento deve ser precoce para atenuar os deficits. Contudo, especialistas temem que a rede pública não tenho o suporte necessário.

Para Carlos Nogueira Aucélio, especialista em neuropediatria e professor da Universidade de Brasília (UnB), o essencial é o monitoramento dos danos a fim da detectar as perdas para o tratamento rápido. “O cérebro é dividido em quatro regiões responsáveis por tarefas diferentes. O quanto antes identificarmos os setores que foram lesados e estimularmos o desenvolvimento, melhor será. Podem haver casos severos em que o paciente terá retardos mentais graves e epilepsia, já em outros casos poderão existir dificuldades, mas a vida será normal”, explica.

“A rede pública não está preparada para receber a demanda de microcefalia. Não há especialistas suficientes e o Estado não investe em profissionais como fisioterapeutas, que serão fundamentais para o tratamento”, afirmou.

O presidente da Sociedade de Pediatria do DF e médico neuropediatra do Hospital Santa Lúcia, Christian Muller, acredita que o governo deve equipar os hospitais e preparar as equipes que vão receber esses pacientes. “O sistema não absorve toda a demanda e os gargalos devem aumentar”, avaliou.

No último domingo, um bebê nasceu com microcefalia no Hospital Anchieta, em Taguatinga. Amostras de sangue do recém-nascido estão sendo analisadas pelo Laboratório Central da Secretaria de Saúde. Os resultados não estão prontos, portanto, não se pode afirmar a relação do caso com o zika vírus. Em outro registro de microcefalia, em outubro, o governo descartou a associação a infecção transmitida pelo aedes aegypti.

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