Publicidade

Estado de Minas

Mãe de dois meninos com microcefalia conta os desafios enfrentados

Ela mostra que, apesar da atenção especial que demandam, eles são crianças como todas as outras


postado em 27/12/2015 08:10

Adaiane com os filhos João Paulo (E) e Mateus. Os dois são acompanhados por diversos especialistas
Adaiane com os filhos João Paulo (E) e Mateus. Os dois são acompanhados por diversos especialistas


Há 11 anos, Adaiane Matos Ferreira Ramos, 34, está familiarizada com a microcefalia. Moradora de Ceilândia, ela se dedica a cuidar dos seis filhos — dois com o diagnóstico da doença que tomou conta das manchetes dos jornais nos últimos meses. Mateus, 11, e João Paulo, 4, nasceram com a circunferência do crânio menor do que 32 centímetros, em 2004 e 2011, respectivamente. O mais velho, vítima de malformação fetal, veio ao mundo aos seis meses de uma gestação complicada, com apenas 650 gramas. Devido a uma mutação genética, após uma gravidez tranquila, o outro menino teve o mesmo veredito.

O barulho das crianças é percebido desde o portão do sobrado. “Mãe, eles chegaram”, grita da janela do segundo andar Maria Eduarda, 8, depois de ver o carro da reportagem. Rapidamente, João Paulo aparece para saber de quem se trata. Todos se aglomeram na sala, inclusive os gêmeos Marcos e Pedro, de apenas nove meses. A matriarca, dona de um sorriso contagiante, organiza a recepção. João faz gestos chamativos, mostra objetos e aponta para as pessoas. Gosta de ser percebido. Mateus está assistindo a vídeos de futebol na internet. Ao interagir, o contato visual é forte. O garoto, em instantes, passa a respirar no mesmo ritmo de seu interlocutor. Em uma ligeira observação é possível descobrir quem é seu ídolo. Neymar aparece na maioria dos filmes venerados na tela do computador. Com um sinal tímido com as mãos, faz referência ao penteado do jogador.

“Viu que são crianças absolutamente comuns?” A observação da mãe confronta muitas das informações difundidas ao longo dos últimos dois meses, quando o Ministério da Saúde começou a investigar a relação do zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, com a microcefalia. “Não se pode fazer terrorismo. As mães que recebem esse diagnóstico ficam fragilizadas, sem ter a certeza de que o filho vai vingar. Os médicos são pessimistas. Um deles me disse que essas crianças nem chegam à fase adulta”, reclama Adaiane. Mateus teve a microcefalia detectada aos 4 meses. João, ainda durante a gestação. “O obstetra disse que o bebê era perfeito, mas muito pequeno. Pedi para ele refazer a medição do perímetro cefálico”, conta.

A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade