Publicidade

Estado de Minas

Fuga da Unidade de Internação de Santa Maria reflete série de problemas

Relatório do CNJ mostra que o local não tem condições apropriadas para receber adolescentes infratores. Polícia Militar encontrou 13 dos 20 que escaparam na última sexta-feira


postado em 27/12/2015 08:10

Internos reclamam que há poucas atividades de lazer e educativas(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Internos reclamam que há poucas atividades de lazer e educativas (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)


A fuga de 20 adolescentes da Unidade de Internação de Santa Maria (UISM), na última sexta-feira, expõe a fragilidade e a falta de segurança do local. De acordo com relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em conjunto com a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), a UISM não tem condições apropriadas para o cumprimento de medidas socioeducativas. Faltam, por exemplo, atividades de lazer e educacionais. Até o fechamento desta edição, a Polícia Militar havia encontrado 13 dos fugitivos.

Em alguns capítulos, o relatório da pesquisa Dos espaços aos direitos mostra como são a estrutura e a dinâmica da UISM. Os pesquisadores ouviram relatos de internas que se queixaram de desrespeito aos direitos delas. “O regime de contenção das meninas pareceu o mais severo de todos os visitados no Brasil. Segundo o relato que fizeram, elas ficam trancadas durante todo o dia, saindo apenas para o ‘banho de sol’ e as atividades escolares, esportivas e de lazer”, descreve o documento.

Os resultados encontrados não diferem do relato de servidores da UISM. Uma funcionária que preferiu não se identificar disse que a unidade não oferece qualquer tipo de estrutura aos internos. “A escola funciona duas vezes por semana, não tem oficina, não tem atendimento em saúde. Os adolescentes não têm tevê nem acesso a meios de comunicação”, diz.

Estrutura
A unidade tem capacidade para abrigar 100 detentos homens e 20 mulheres. Atualmente, tem 122 e 19, respectivamente. No momento da fuga, entre 22 e 24 servidores trabalhavam no local, dois deles na ala em que ocorreu o incidente. Segundo Cristiano Torres, presidente do Sindicato dos Servidores da Carreira Socioeducativa do DF (Sindsse/DF), sem efetivo para manter a segurança no local, é impossível promover atividades socioeducativas. “A falta de pessoal é o principal problema. O ideal seria o dobro. Não tem como colocar todo mundo em risco. É inviável fazer uma oficina com 15 adolescentes e apenas um servidor. Isso atrapalha a ressocialização”, afirma. Cristiano ressalta ainda que a unidade, apesar de nova — foi inaugurada ano passado —, não tem concepção de segurança adequada. “Os jovens conseguem arrancar as coisas da parede”, cita.

A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade